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MELANCOLIA – Melancholia
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Dinamarca - 11/08/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Lars Von Trier

ELENCO: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgaard, John Hurt, Stellan Skarsgaard, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling

Dinamarca, 2011 (136 min)

Começando pelo inevitável, não consigo entender como alguém capaz de fazer um filme tão intenso, dramático e íntimo foi também capaz de dar, em alto e bom tom, no palco mais cobiçado do mundo do cinema que é Cannes, declarações pró-nazistas. Uma postura não encaixa na outra e fica difícil imaginar como funciona a cabeça de Lars Von Trier. Sem falar no seu perturbador Anticristo – que instigou em mim o sentimento de angústia, incapacidade de curar as próprias feridas, incompreensão total do mundo. Já entrei em Melancolia achando que fosse ver algo do gênero, mas não. Aqui, o diretor também lida com as difíceis questões pessoais de cada um, seus sofrimentos e a dificuldade de verbalizar o que se sente, de se comunicar, de se ajudar, mas é o medo, a solidão, o desconhecido que falam mais alto e tomam conta da vida. E do mundo.

Do mundo quem toma conta e mobiliza é o planeta Melancolia que surge detrás do Sol e se aproxima da Terra. Dos personanagens, é o sentimento de melancolia. As imagens impressionantes do prólogo já dão uma amostra das dificuldades da vida – impressiona a cena sofrida da noiva que não sai do lugar; as duas partes seguintes, explicam o que cada um não é capaz de fazer. Na primeira, Justine (Kirsten Dunst, melhor atriz em Cannes pelo papel) se casa e a festa é minuciosa e luxuosamente preparada pela irmã Claire (Charlotte Gainsbourg, também em Anticristo). Infelicidade instalada em cada cena, em cada corte brusco, num jogo de câmeras que mostra a instabilidade emocional, a dúvida, a tristeza. Descompasso familiar que beira a loucura e a incompreensão. Na segunda parte, os cacos do que era para ser um casamento feliz são recolhidos e o planeta Melancolia ameaça a tênue e mascarada estabilidade de Claire, trazendo à tona sua mais íntima fraqueza. Com medo de si mesmas, cada uma em seu universo particular, as irmãs se afundam naquilo que parece ser o fim do mundo dentro da sua perspectiva pessoal.

A dramaticidade é tanta que fui ficando angustiada com o evidente pavor que corroia cada uma delas. Não dá para explicar, é uma leitura especial e muito delicada do túnel sem luz lá no fundo. Mas é uma angústia diferente de Anticristo – que causa repúdio. Aqui, a angústia causa sofrimento na seara mais íntima do ser humano. E por isso toca mais fundo. Belíssimo, entoado por uma trilha sonora clássica, Melancolia vale quanto pesa. E Lars Von Trier que tenha mais cuidado com o que diz e o que pensa da próxima vez, porque ao mesmo tempo em que foi capaz de dizer barbaridades, dirigiu seus atores com maestria. Sem isso, não haveria melancolia como a senti.

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3 Comentários to “MELANCOLIA – Melancholia”

  1. Sua mãe foi quem me deu seu site.Adoro cinema.estou adorando o cinegarimpo
    Quanto ao filme melancolia, foi um dos melhores que vi ultimamente..
    abracos.

  2. lucila penteado xande on janeiro 19th, 2012 at 09:47
  3. Lucia, obrigada! Mande sugestões quando tiver. Um abraço, Suzana

  4. Suzana (Cine Garimpo) on janeiro 19th, 2012 at 11:37
  5. Lucila, obrigada. Mande sugestões quando tiver. Um abraço, Suzana

  6. Suzana (Cine Garimpo) on janeiro 19th, 2012 at 11:37

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