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José e Pilar
CLASSIFICAÇÃO: Portugal, Para se Emocionar, Para se Divertir - 16/11/2010

DIREÇÃO: Miguel Gonçalves Mendes

ELENCO: José Saramago, Pilar del Río, Gael García Bernal

Espanha, Portugal, Brasil, 2010 (125 min)

José não seria Saramago se não fosse Pilar. Pelo menos foi com essa sensação que saí do cinema, após assistir ao documentário José e Pilar. Revelador e sensivelmente editado, o filme retrata três anos da vida do casal de maneira natural e espontânea, referendando a parceria como o próprio Saramago a define: “eu tenho ideias para os romances; ela, para a vida”. Prêmio Nobel de Literatura, era contestador, ateu e comunista. Mas não melancólico, nem sisudo. Daquela figura triste e desiludida que eu tinha em mente, sobrou pouca coisa. Foi substituída por um sujeito espirituoso, consciente, realista e principalmente apaixonado pela vida e por Pilar.

Jornalista e tradutora espanhola com quem se casou aos 66 anos, Pilar foi seu alicerce na coordenação da carreira, na maratona internacional das entrevistas e compromissos, no estímulo da escrita, no direcionamento da vida. Conforme ele mesmo disse, tudo veio tarde, inclusive a literatura. Os livros que construíram Saramago internacionalmente foram escritos depois dos 60 anos, com um estilo específico, às vezes difícil e incompreendido – também na forma, já que não utilizava a pontuação comum. O filme mostra a casa do casal na ilha espanhola de Lanzarote, passa por seu dia a dia, pela biblioteca, pela formação da Fundação José Saramago, pelos momentos difíceis da doença, da exaustão das viagens e compromissos, pelo humor inteligente e simples durante as entrevistas e conversas com amigos. As trocas com Pilar são reveladoras e emocionantes, assim como a cena em que assistem à ­adaptação de seu livro Ensaio sobre a Cegueira por Fernando Meirelles (também em O Jardineiro Fiel).

A edição de José e Pilar é leve e criteriosa. Mostra um Saramago humano e humorado, tendo como pano de fundo o momento da sua vida em que escreve o curioso livro A Viagem do Elefante. Reverenciado no mundo todo, Saramago morreu em junho de 2010 e deixa um importante e inteligente legado sobre sua percepção do mundo e da humanidade. Nem sempre fácil ou afável, mas que merece uma reflexão. Vale a pena ver o trailer abaixo.

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