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INDIE FESTIVAL 2011 – O CAVALO DE TURIM – A Torinói Ló
CLASSIFICAÇÃO: Hungria, Brasil - 16/09/2011

Começa hoje o Indie Festival 2011, o 11º festival internacional de cinema independente – e vai até dia 29 de setembro. Este ano homenageia com retrospectivas os cineastas Claire Denis, de Minha Terra, África (França) e Bela Tarr, de O Cavalo de Turim (Hungria), que abriu o festival.

Fui conferir a este que parece ser o último filme do diretor Bela Tarr. Difícil demais. É preciso ir assistir sabendo bem o perfil do filme – senão você vai sair depois da primeira meia hora. Isso porque, depois de meia hora, já se percebe que a intenção do diretor é mostrar a rotina, a dificuldade de convívio consigo próprio e com o outro, a inclemência da natureza, do vento, da escassez de alimentos e de água, o clima implacável através da vida de um senhor e uma moça, em uma cabana localizadas num território montanhoso e gelado.

O narrador começa contando a história de Friedrich Nietzsche, sem qualquer imagem. Conta que em janeiro de 1889, ele sai de casa e presencia a cena de um cavalo sendo espancado pelo dono, por não sair do lugar. Interrompe a surra, abraça o cavalo e chora. Volta pra casa, fica em silêncio durante dois dias, diz algumas palavras e enlouquece de vez. Vive mais dez anos assim, alheio e louco. E o tal do cavalo? O narrador diz que não se tem notícias dele. Mas em seguida entram as imagens em preto e branco de um senhor puxando um cavalo. Ele entra em casa, uma moça ajuda-o a guardar o animal, a trocar sua roupa e prepara as batatas para comer. As cenas são longuíssimas, com uma trilha dura e grave por trás, ou simplesmsente silêncio e o barulho ensurdecedor do vento. E assim segue, com falas curtas, somente o necessário, raríssimas.

Vencedor do prêmio da crítica no Festival de Berlim, tenho que confessar que não é filme para qualquer um, nem para qualquer hora. Particularmente, não era para o dia de ontem, quando fui assistir na abertura do Indie Festival. Algumas pessoas foram embora, e fiquei tentada em fazer o mesmo. É extremamente monótono, extremamente exigente com o espectador. Tem uma beleza muito particular pela força das imagens preto e branco, justamente transmitindo essa dificuldade extrema de sobrevivência física e mental, de manutenção da sanidade, principalmente, diante de situações tão adversas. O folósofo Nietzsche enlouqueceu no fim da vida e também manteve-se em silêncio até a morte. Se esse é um retrato ou uma metáfora de como terminaram seus dias, quando teve que ficar aos cuidados da mãe e da irmã, não sei. Mas se você não for preparado, é capaz de perder a paciência – tive a mesma sensação quando assisti ao vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o tailandês Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas - que realmente não curti.

Vale lembrar que O Cavalo de Turim é um filme longo - são 146 minutos! Isso agrava ainda mais a situação do espectador desavisado! Se foi esse o objetivo do diretor, fazer a gente se sentir como se estivéssemos morando naquela cabana, naquela situação insustentável, conseguiu. Metáfora às avessas dos tempos atuais, em que somos imediatistas? Bem pensado, pode ser. Mesmo porque, conseguiu esgotar a minha paciência. E olha que gosto de filmes contemplativos…

Indie Festival/SP – Cinesesc, Cine Olido – Entrada gratuita – veja programação completa no link do site do festival.

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