ZUZU ANGEL

Cartaz do filme ZUZU ANGEL
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Opinião

 

DIRETOR: Sergio Rezende

ROTEIRO: Sérgio Resende e Marcos Bernstein

ELENCO: Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira, Luana Piovani, Leandra Leal, Alexandre Borges, Ângela Vieira, Ângela Leal, Flávio Bauraqui, Paulo Betti, Nélson Dantas, Regiane Alves, Fernanda de Freitas, Caio Junqueira

Brasil, 2006 (110 min)

Lembrei de rever Zuzu Angel por causa das referências a ela e à sua filha, Hildegard Angel, na biografia de Paulo Coelho, O Mago, de Fernando Morais. Acabo de ler o livro. Não sabia que Hildegard e Paulo Coelho eram amigos naqueles anos de chumbo, a década de 70. Assim como o famoso escritor, Stuart (Daniel de Oliveira), filho de Zuzu, foi perseguido e torturado pelo regime militar. No entanto, não teve a mesma sorte e acabou assassinado, sem que seu corpo fosse jamais entregue aos familiares.

Zuzu Angel (ótima por Patrícia Pillar) conta justamente sua luta para reaver o filho, vivo ou morto. Estilista famosa internacionalmente, acorda para o terror da ditadura quando seu filho desaparece, quando o regime passa a ameaçá-la diretamente, quando já não se vê costurando futilmente para as esposas dos militares enquanto artistas, estudantes e intelectuais morrem nos porões dos quartéis.

Plasticamente o filme é muito bonito – embora muito triste, claro. Senti a beleza do filme, ao mesmo tempo em que senti a vergonha e a dor de mãe. O filme é embalado pela canção Angélica, tributo de Chico Buarque à estilista (veja o vídeo abaixo); mostra pessoas que fizeram parte da vida de Zuzu como a modelo Elke Maravilha (na pele de Luana Piovani); mostra Zuzu levantando a bandeira de mãe de um desaparecido político; mostra a posição das irmãs de Stuart, que criaram o Instituto Zuzu Angel (IZA) em 1993 para promover a moda enquanto expressão da cultura brasileira e preservar a memória da mãe e do irmão. Tudo isso situa o filme na realidade do nosso país – o que faz dele um registro muito, mas muito interessante.

O primeiro vídeo, logo abaixo, é uma montagem com imagens reais e fictícias, com a canção Angélica de fundo; o segundo, o trailer oficial do filme. Gosto dos dois, embora tenha priorizado o primeiro, é verdade. Acho que ele transcende o cinema, entra na realidade e traz os fatos para perto de nós. Por mais duros que sejam.

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