YOMEDDINE

Cartaz do filme YOMEDDINE

Opinião

Beshay tem lepra e foi deixado pela família quando criança em uma colônia para leprosos. Viveria ali, entre os seus, sem precisar ser diferente. Obama é um menino sem família, que vive no orfanato e adora acompanhar Beshay ao lixão e cabular aula para ficar com o amigo. A primeira cena de Yomeddine, em que vemos Beshay catando lixo, já é impactante. Mesmo com seu rosto marcado pelas cicatrizes da doença, não há momento de vitimização. A escolha do diretor é certeira com seus atores amadores, capazes de construir uma relação de afetividade genuína neste bonito road movie.

O diretor A.B.Shawky faz um curta em 2009, ao norte do Cairo, e conhece Rady Gamal, que seria seu protagonista neste longa que foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e agora é o indicado do Egito ao Oscar de filme estrangeiro em 2019. O road movie acontece quando Beshay perde sua esposa e resolve partir para o sul do Egito à procura de sua família. Obama segue junto e vão cruzando o país e passando por situações inusitadas – outras previsíveis – próprias de quem vai buscar algo e encontra muito mais.

Yomeddine é um tributo à amizade, das genuínas. Mas principalmente uma homenagem aos de aparência diferente dos demais – que são só diferentes, nem mais, nem menos. Um olhar de tolerância, com uma bela e tocante justificativa no final, com a sabedoria de quem ama realmente.

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