UMA MULHER FANTÁSTICA | Una Mujer Fantástica

Cartaz do filme UMA MULHER FANTÁSTICA | Una Mujer Fantástica

Opinião

Sebastián Lelio já tinha sido premiado no Festival de Berlim em 2013 por Gloria, um filme que fala da mulher na casa dos 60 anos, que já tem filhos criados, é divorciada, independente financeiramente, mas que quer encontrar um companheiro para se divertir e aproveitar essa nova e boa fase da vida. Consegue construir a protagonista Gloria com várias camadas, complexa no seu retrato humano e sensível. Faz melhor ainda com Marina, a personagem transexual de A Mulher Fantástica, premiado com o Urso de Prata pelo roteiro também em Berlim este ano.

Teria sido fácil cair no lugar comum do transgênero que sofre preconceito e rejeição da sociedade. Marina é protagonizada pela atriz e cantora transexual Daniela Vega, que namora um homem bem mais velho que ela e tem que lidar com sua família depois que o companheiro morre de um aneurisma. Sofre violência física e psicológica, mas Lelio contrói a personagem com uma dignidade que se vê no olhar. Marina enfrenta as pessoas sem ser agressiva e até com respeito pela opinião do outro – mesmo sendo vítima constante das tristes manifestações de intolerância e humilhação.

Sem tentar impor sua condição, Lelio dá à personagem uma inteligência emocional que nenhum outro personagem no filme tem. Marina demonstra sua determinação em seguir com sua vida – sem que para isso precise julgar ou prejudicar ninguém, apesar das diferenças. Movimenta-se exatamente na contramão de todos os outros personagens do filme – fantástica por isso. Mesmo com ventos contra na cena emblemática do vendaval que quase a derruba, ela segue com seu sonho, deixando para trás quem perdeu tempo com a vida dos outros.

 

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