SOUL KITCHEN

Cartaz do filme SOUL KITCHEN

Opinião

Soul Kitchen se encaixa na classificação “Para se Divertir” do Cine Garimpo. Digo isso porque, diferente do filme Do Outro Lado, aqui o premiado diretor alemão de origem turca não nos coloca para pensar em primeiro lugar, nem mesmo tem a pretensão de nos emocionar. Fatih Akin continua tratando do mosaico de raças da Alemanha atual, mas a sua proposta primeira é divertir com situações tragicômicas – o que não é uma tarefa fácil.

O centro de tudo é a cozinha. Com alma – daí o título do filme e do restaurante ser Soul Kitchen. São vidas que se cruzam ao passar por ela, mas sem grandes dramas ou reflexões. O filme é uma comédia em que quase tudo é extremo e exagerado. Por isso, muitas vezes engraçado. Deixa ver se me explico: Zinos (Adam Bousdoukos) tem origem grega, mora em Hamburgo e compra um galpão abandonado para montar um restaurante. A comida é absolutamente sem gosto e sem charme e é preparada sem qualquer cuidado ou higiene. Mas é o que vende. Ao redor dele se formam os conflitos: um irmão que sai da prisão e precisa de emprego; a namorada que vai morar na China; uma atroz dor nas costas que faz com que contrate outro cozinheiro para o restaurante; um antigo amigo que lhe dá uma rasteira. Imagine um universo atrapalhado. É o Soul Kitchen.

Não espere grandes análises da situação multirracial européia. Pense em vários jovens convivendo com suas angústias, desejos, ambições, dúvidas, coloque-os em um caldeirão com muita música, sexo sem pudor, humor nada sutil, comida com afrodisíaco. Ousado, o diretor, por fugir ao seu estilo mais denso. Alguns críticos se decepcionaram por isso. Não tive essa impressão. O próprio Fatih Akin disse, em entrevista, não ter feito desta vez um filme de arte. Alega ter dirigido um filme pensando no público. Algum problema com a mudança de olhar? Não que eu saiba.