REENCONTRANDO A FELICIDADE – RABBIT HOLE

Cartaz do filme REENCONTRANDO A FELICIDADE – RABBIT HOLE
Estado de espírito:

Opinião

DIREÇÃO: John Cameron Mitchell

ROTEIRO: David Lindsay-Abaire

ELENCO: Nicole Kidman, Aaron Eckart, Dianne Wiest

Estados Unidos, 2010 (91 min)

Reencontrando a Felicidade é um daqueles títulos clichês que até desanimam. Também não sei se teria sido melhor manter a tradução literal, porque comercialmente não seria tão atraente – “a toca do coelho”. Fato é que dizer simplesmente ‘reencontrando a felicidade’ soa vago, superficial, trivial – o que não condiz em nada com a situação por que passa o casal vivido por Nicole Kidman e Aaron Eckart. Daí a minha irritação com essas traduções. O que o casal vive é uma situação de profunda tristeza, de profunda desesperança e de perda da razão de viver. De vago, não tem nada.

Digo de cara que o filme não é uma missão fácil – é muito triste e sofrido. Toca fundo qualquer um e imagino que ainda mais quem já sentiu perda semelhante. Mas o simples medo natural que todos nós temos de perder um filho já nos faz imaginar um pouco a dor de Becca e Howie, a sua dificuldade de ver graça nas coisas triviais de vida, de retomar o ritmo normal, de ter esperança de que a dor diminua e que possa ser substituída só pela saudade. Emociona pensar que cada um vive o luto de uma maneira diferente, que cada um tem seu tempo de maturação, que precisa saber perdoar e vivenciar a dor, por mais sofrida que ela seja, para que haja possibilidade de reconstrução das relações. Toda situação que surge desse período está recheada de muita emoção e não consegui sair ilesa. Reencontrando a Felicidade fala da tristeza sem vitimização ou melodrama – por mais dramático que seja o assunto.

Muito se deve à atuação de Nikole Kidman (também em Nine), mas gosto também muito da presença do ator Aaron Eckart, que pacientemente espera, em silêncio muitas vezes, que Becca vire a página e se vire novamente para ele. O casal tem harmonia, mas o roteiro aqui foi fundamental. É delicado e sensível, junta as peças do quebra-cabeça de uma maneira sutil, até que finalmente entendemos de onde vem mesmo a tal “toca do coelho” do título original.

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