PROCURANDO ELLY – Darbareye Elly

Cartaz do filme PROCURANDO ELLY – Darbareye Elly

Opinião

Quando se fala em filmes iranianos, logo pensamos em produções lentas, paisagens árduas e diálogos raros. Procurando Elly foge da regra e é por essa e por outras que vale a pena conferir. Importante dizer que a atriz Golshifteh Farahani (que faz Sepideh) foi pressionada pelo governo a não fazer este filme, que ele foi proibido no Irã e que depois disso a bela atriz (que também filmou com Ridley Scott) teve de pedir exílio na França. Só por isso já é interessante saber o que Procurando Elly revela de tão ameaçador ao status quo. É o poder pela censura e pela falta de liberdade de expressão, em tempos de Mahmoud Ahmadinejad.

O filme vai muito além da procura por Elly contada de antemão pelo título. Elly de fato desaparece em um fim de semana entre amigos. Ela é convidada por Sepideh, mãe de uma de suas alunas, a passar o fim de semana na praia. Por ser solteira, Sepideh quer apresentá-la a um amigo recém-chegado da Alemanha, que acaba de se separar. Antes do sumiço, tudo parece transcorrer normalmente. Depois do desaparecimento de Elly, o frenesi está armado, as mentiras são reveladas e é a chance do diretor Asghar Farhadi (vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim 2009) de trazer à tona as questões mais pertinentes que engessam a rígida sociedade iraniana.

A partir da situação de conflito, são colocadas em xeque questões polêmicas para nós ocidentais, como a posição da mulher na sociedade muçulmana, o uso permanente do véu e principalmente a questão da honra. Tudo pontuado com muita sensibilidade. Não que os sinais do mundo ocidental não existam. Pelo contrário: os carros, os celulares, a mala Louis Vuitton estão presentes e são marcantes – prova de que não há como tapar o sol com a peneira. Mas há situações interessantes como a representação de Deus no jogo de mímica, o perigo da mentira que leva à mentira, a adjetivação da esposa ideal – simpática, saudável, gentil. Se Elly aparece? Pouco importa, isso é só o pano de fundo de uma discussão muito mais profunda.

 

 

 

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