POTICHE – ESPOSA TROFÉU – Potiche

Cartaz do filme POTICHE – ESPOSA TROFÉU – Potiche
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Estado de espírito:

Opinião

DIREÇÃO e ROTEIRO: François Ozon

ELENCO: Gérard Depardieu, Catherine Deneuve, Fabrice Luchini, Jêrémie Renier, Karin Viard, Jérémy Renier,Judith Godrèche

França, 2010 (103 min)

 

Lá vou eu de novo com as observações sobre os idiomas. Acho importante dizer que Potiche, mantido no título em português, quer dizer algo decorativo, que não tem importância ou utilidade. Aplica-se para um objeto, mas também para uma pessoa. Aqui, a Potiche da história é nada mais, nada menos que Catherine Deneuve, que como sempre dá o tom da história, rouba a cena e termina roubando também aquilo que o marido tinha de mais precioso: sua posição de superior, dono da casa, do trabalho e do seu nariz.

Mas é preciso localizar tudo isso no tempo e no espaço. Estamos em 1977, na França das greves e protestos sindicais. Suzanne (Catherine Deneuve) é casada há 30 anos com o chato e machista Robert Pujol (Fabrice Luchini). Submissa e subserviente, ela faz seu papel de esposa e mãe, e não tem direito nem a dar opinião. Numa época em que a mulher não tinha conquistado sua posição profissional, política ou pessoal, Suzanne vira a mesa e mostra a que veio quando tem que lidar com uma greve na fábrica que fora de seu pai. Munida de bom senso e sem qualquer preparo formal, toma pé da situação, da vida e de tudo que está ao redor. Inclusive de ex-amores, como Maurice Babin (Gerard Dépardieu, também em Minhas Tardes Com Margueritte, filme em que está bem melhor).

Potiche tem um tom kitsch, ou seja, um pouco exagerado e caricato na maneira de ver a mulher, nas atitudes que vão sendo reveladas durante o filme. Mas não me incomodei, acho que compõe bem com a proposta (dê uma olhada no trailer, vale a pena para sentir o espírito do filme). Entrei no clima dos anos 70 e deixei que a sempre bela Catherine Deneuve tomasse conta da situação – literalmente. Tive até a impressão que a intenção do diretor François Ozon era fazer um filme com ar simplório e algumas situações divertidas, sem compromisso – diferente dos profundos O Refúgio e O Amor em 5 Tempos e do surrealista Ricky. E tive a nítida sensação de que Catherine se deliciou com o papel, que se divertiu com as cenas e estava adorando voltar no tempo. Atriz nata, não tem jeito. Dona do pedaço.

Será exibido no Festival Varilux de Cinema Francês, que começa dia 08 de junho. Para ver a programação completa: www.festivalcinefrances.com

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