PARA ROMA COM AMOR – To Rome With Love

Cartaz do filme PARA ROMA COM AMOR – To Rome With Love

Opinião

Parece que Woody Allen se cansou de Nova York. É justo. Depois de deixar sua marca registrada na cidade e vice-versa, o diretor envereda pelas europeias, basicamente contanto casos. Com seu olhar característico, como quem observa moradores, pontos turísticos e modos de vida, constrói personagens que interagem com o lugar, mudam seus destinos pelo simples fato de estarem ali. Tem algo especial em Woody Allen, nesse seu estilo de incluir um narrador, de falar diretamente com o espectador. Um contador de casos.

Primeiro foi Londres, com a incrível e intrigante história de Ponto Final – Match Point; depois foi para a Espanha, com a sensual e divertida Vicky Cristina Barcelona; passou pela Cidade das Luzes com a deliciosa viagem pelas artes, pela literatura e pelo tempo em Meia-Noite em Paris. Para chegar agora em Roma e contar casos de amor.

Aqui não há uma linha mestra, protagonistas fortes e intrigantes como nos outros filmes – o que faz deles produções especiais, toques de mestre de Woody Allen que, a meu ver, se renovou quando mudou para o outro lado do oceano. Em Para Roma, Com Amor, os casos são quatro, que não se entrecruzam, mas são contados entrelaçados. Ao mesmo tempo que conhecemos a história da estudante americana (Alison Pill, também em Milk – A Voz da Liberdade, Meia-Noite em Paris, Os Pilares da Terra) que conhece um italiano (Flavio Parenti) nas ruas de Roma, resolve se casar e convida os pais (Woody Allen e Judy Davis) para irem à Itália, deparamo-nos com o ingênuo casal de italianos recém-casados (Alessandra Mastronardi e Alessandro Tiberi), perturbados pela chegada inesperada de uma garota de programa (Penélope Cruz). Sem falar no casal de namorados (Greta Gerwig e Jesse Eisenberg, também em A Rede Social), cuja harmonia é quebrada pela chegada de uma amiga (Ellen Page, também em Juno, A Origem) e pela visita inesperada e profética de um arquiteto americano (Alec Baldwin) e no cidadão comum (Roberto Benigni), que fica famoso do dia para a noite, numa sátira ao culto às celebridades.

São histórias de vida pelas ruas da linda Roma, logicamente regadas a humor. Estilo Woody Allen de ser, mas sem nostalgia ou qualquer outra chatice. Como tem sido nos seus projetos europeus. Mas confesso que minha trilogia preferida é Londres-Barcelona-Paris. Os roteiros são imbatíveis. Roma entra aqui como um bônus, um bom filme, um bom programa. Sem ser genial.

 

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