OS BELOS DIAS – Les Beaux Jours

Cartaz do filme OS BELOS DIAS – Les Beaux Jours

Opinião

Alguns bons filmes já abordam o mesmo tema de Os Belos Dias. Lembrei-me do francês Partir, com Krisitin Scott Thomas, do italiano Um Sonho de Amor, com Tilda Swinton, dos ingleses Shirley Valentine e O Exótico Hotel Marigold. Há tantos outros, para um tema tão universal quanto a necessidade de reinvenção na terceira idade. Reinvenção do casamento, reinvenção de si mesmo.

Os Belos Dias conta com uma pérola, que já de cara dá uma luz especial ao filme. A atriz Fanny Ardant é Caroline, uma mulher na casa dos 60, recém-aposentada, que não sabe o que fazer com o tempo livre. Ganha das filhas a matrícula em um clube de aposentados chamado Les Beaux Jours, onde pessoas da terceira idade se reúnem para fazer teatro, curso de pintura, etc. Fica sem jeito, sente-se deslocada, até que se encanta com o professor de informática, com idade para ser seu filho, e o romance acontece.

Claro que o filme da diretora Marion Vernoux vai muito além da traição de Caroline – que, aliás, não tem o peso da traição aos seus olhos, mas sim de uma descoberta. Descoberta de si própria, da sua capacidade de se divertir e de sair da rotina, e principalmente de redescobrir velhos prazeres no dia a dia ao lado de seu marido – um sujeito acomodado, que talvez seja preciso amolecer.

Tive a boa impressão de que a direção consegue se livrar o espectador do sentimento de culpa, colocando o foco no renascimento de Caroline enquanto mulher e companheira. E digo mais: tive a sensação de que ela própria já sabia que desfecho teria, só estava abastecendo-se de vida, arriscando seu casamento, mas apostando em algo maior. Delicado e leve, Os Belos Dias é daqueles filmes que a gente assiste, pensa sobre a vida e celebra a relação duradoura, com tudo que ela traz de bom.

 

 

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