OKJA

Cartaz do filme OKJA

Opinião

Até dá pra entender porque Cannes torceu o nariz pra Okja. Não tem o perfil do festival no quisito filme-de-arte. Por outro lado, pensar assim vai contra o que o cinema propõe que é transcender fronteiras, rasgar rótulos. Qual o problema? E qual o drama de um filme não ser feito pro cinema e ir direto para o streaming, produzido pela Netflix? Era digital, gente. Tudo muda nessa vida.

Ou não? Sim, inclusive se você for com preconceito, não vai entrar no que Okja propõe. Seguinte: as irmãs Lucy e Nancy são donas de uma poderosa multinacional, que modificou geneticamente porcos para que fossem superanimais, capazes de abastecer o mercado com carne e fazer muito dinheiro. Acontece que alguns são criados no campo, por famílias, que os adotam como animais de estimação. É o caso de Mija, uma garota sul-coreana, que se apega a Okja e vai até as últimas consequências para salvá-la do abate no frigorífico da empresa.

Claro, estamos falando aqui de animais maltratados e as organizações defensoras, de consumo de carne, de vegetarianos, de violência, de protesto, de diferentes opiniões, de intolerância. Mas vai mais além: pretende dizer que estamos no mesmo barco, que os problemas do ocidente e do oriente são os mesmos, que comunicando – e traduzindo – a gente se entende, e que é preciso parar para pensar em formas de humanizar as relações. Joon-ho Bong é também diretor de Mother – um suspense, profundo, da relação protetora de uma mãe em relação ao filho. São linguagens diferentes – o que mostra que Joon-ho Bong é universal.

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