O VISITANTE – The Visitor

Cartaz do filme O VISITANTE – The Visitor

Opinião

O Visitante me lembrou, de cara, o belo filme do francês Philippe Lioret, Bem-Vindo. Ambos tratam dessa complicada questão da imigração ilegal que assola a tão de perto a vida das pessoas, modificando-as de maneira implacável. Pertencer ou não pertencer a algum lugar, eis a questão que não quer calar.

Mas o assunto é abordado tendo como fio condutor a vida de Walter Vale (Richard Jenkins – nomeado ao Oscar de Melhor Ator, também em Comer, Rezar, Amar e Queime Depois de Ler), um desanimado professor universitário de Connecticut que dá o mesmo curso há 20 anos, que já publicou 3 livros e finge escrever o 4º e que não se envolve com absolutamente nada na vida. Segue vivendo, como se por inércia.

Até que é forçado a ir a Nova York apresentar um trabalho num congresso e, ao entrar em seu apartamento, encontra um casal morando por lá sem seu conhecimento. Ele é o sírio Tarek Khalil (Haaz Sleiman) e ela, a senegalesa Zanaib (Danai Gurira). Para evitar a polícia, o casal se prontifica a ir embora imediatamente. Mas, impulsivamente, Walter os convida a ficar. E eles ficam.

A vida de Walter ganha o brilho que perdera há muito tempo. A sensação que se tem é de que, sem pensar que pudesse estar acobertando ilegais, se misturando com gente sabe lá se desonesta, ele age naturalmente, como se por instinto de acolhimento e humanidade. Desse gesto desinteressado, nasce uma relação despretenciosa, sincera, musical. A vida ganha um propósito, sem que as diferenças façam de fato diferença. Pelo contrário, terminam por unir pessoas de realidades realmente díspares, mas que se completam.

No meio disso, aparece a fabulosa atriz israelense Hiam Abbas (Lemon Tree, A Noiva Síria), no papel de Mouna Kalil, mãe de Tarek – que completa o time dos protagonistas, que é realmente excelente.

É verdade que O Visitante coloca em voga a realidade dura da imigração nos Estados Unidos, precisamente em Nova York, após o 11 de setembro. Mas ressalta, sobretudo, que existe a possibilidade de as pessoas se relacionarem apesar dos pesares e fazer desse encontro um marco de tolerância e simplicidade. Talvez o truque fosse não parar muito para pensar – os preconceitos nascem dessa mania que temos de nos apropriar das coisas, pessoas, lugares, pensamentos, verdades, como se fossem só nossos. E de mais ninguém.

 

 

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