O QUE ESTÁ POR VIR – L’Avenir

Cartaz do filme O QUE ESTÁ POR VIR –  L’Avenir

Opinião

De novo, ela. Quando comentei sobre Mais Forte Que Bombas, também deste ano, já falei que ela produz incansavelmente. A Religiosa, Dois Lados do Amor, A Bela que Dorme, Amor, Em Nome de Deus, Copacabana, Minha Terra, África, Elle – este, um dos melhores filmes de 2016. Mas diferente da mulher independente e poderosa executiva do filme de Paul Verhoeven, a mulher de O Que Está por Vir é mais doce, maternal, afetiva, familiar. E mais real – recorte da história universal e inspiração pra mulheres que precisam se reinventar com o que a vida apresenta.

Nathalie Chazeaux é um professora de filosofia conceituada, assim como seu marido de longa data. Juntos, criaram os filhos, cuidam de suas carreiras, têm uma vida em comum, interesses que se cruzam, uma terceira idade programada pra ser vivida juntos. Até que ela descobre que são três. Existe uma amante, Nathalie se vê sozinha, suas publicações não vão bem e é hora de sair da zona de conforto. Linda cena em que ela vê o ex-marido com a namorada na rua – não lhe pertence, essa opção. Segue a vida, se reinventa, sofre, mas descobre um lugar dentro dela que a faz renascer.

O Que Está Por Vir, que levou Urso de Prata pela direção em Berlim, é poesia da vida. Descoberta de o que fazer com o que a vida apresenta, viver a vida que nos cabe da melhor forma, dar as cartas do jogo. Nathalie experimenta essa liberdade. Sem drama extra, sem felicidade irreal, sem lustrar a pílula. Simplesmente ser feliz com o que se tem e poder tomar as rédeas do que se apresenta.

 

 

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