O MÁGICO – L’Illusionniste

Cartaz do filme O MÁGICO – L’Illusionniste
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Opinião

Nosso olhar está não só acostumado com a narrativa e o traço da animação americana, mas também acomodado. As crianças, então, nem se fale. Muitas delas nunca viram uma animação diferente daquela produzida nos grandiosos estúdios e a primeira reação ao se deparar com um filme como O Mágico é de estranheza. Não só pelo traçado em si, mas principalmente pela temática melancólica e entristecida e pela escassez de diálogos. Sem dúvida um rico exercício de apreciação de linguagens e formas de expressão diferentes. Assim como em Mary e Max – Uma Amizade Diferente.

Mas a temática é adulta e isso o torna um pouco mais difícil – mas, insisto, é interessante para ver em família quando acompanhado e se torna fonte de muitas reflexões. Além disso, qual o problema com a estranheza? É muito bom sair da zona de conforto. Afinal, é essa a sensação que o próprio mágico protagonista da história nos passa. Na França do final dos anos 50, a plateia dos teatros já não vê graça nas apresentações do velho mágico, que continua tirando coelhos da cartola. A grande atração são os grupos de rock e é preciso buscar, em outras freguesias, de onde tirar o sustento. O mágico Tatischeff parte então para Londres e Edimburgo, até chegar em um pequeno vilarejo na Escócia, onde a menina Alice se encanta com suas peripécias no palco e na vida e começa aí uma grande amizade e uma relação de mútua admiração.

Apesar de momentos bonitos e alegres entre o velho e antigo (representado pelo mágico) e o novo e moderno (na pele da jovem Alice), o diretor Sylvain Chomet (também em As Bicicletas de Belleville) faz com que o preponderante seja a dificuldade de integração de ambos, a falta de sintonia e de possibilidade de convivência de duas realidades – o que é natural em qualquer tempo, o jovem renova o antigo e a vida segue em frente. O senhor Tatischeff continua praticando seu ofício por ideal, por ser artista nato (embora o palhaço já não tenha a mesma força) e não perde a esperança, nem a sua original magia. Mas existe uma áurea de tristeza dos encantos antigos e genuínos que vão se perdendo com o tempo, por pura falta de espaço, renovação, reinvenção e plateia. É possível ver em O Mágico uma nostalgia do tipo tempos-que-não-voltam-mais. Mas faço uma leitura mais otimista da existência do artista nato, de completude, de sobreposição de linguagens e de um traçado absolutamente belo e irretocável, à francesa.

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