O AMOR É ESTRANHO – Love is Strange

Cartaz do filme O AMOR É ESTRANHO – Love is Strange

Opinião

Por Eduardo Lucena

A união civil entre pessoas do mesmo sexo pode até já fazer parte da legislação brasileira, mas o casamento gay e a criminalização da homofobia continuam sendo assuntos polêmicos em nosso país. A exposição cada vez maior de personagens LGBT no cinema e na TV – até Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg formam um casal em novela – contribui para propor reflexão e, principalmente, diminuir o preconceito. É o caso de O Amor é Estranho, drama independente dirigido por Ira Sachs que também trata de um relacionamento homossexual na terceira idade.

No filme, coescrito pelo brasileiro Mauricio Zacharias (roteirista de Madame Satã e O Céu de Suely),  Ben (John Lithgow, também em Interestelar) e George (Alfred Molina, de Frida) decidem se casar numa cerimônia civil após 39 anos juntos. A repercussão do casamento – legalizado em Nova York, onde os dois vivem – provoca a demissão de George, até então professor de uma escola católica no Brooklyn. Como ele não consegue arrumar emprego e Ben é um pintor de 71 anos aposentado, a crise financeira se instaura, forçando-os a vender o apartamento. Assim, sem condições de arcar com os altíssimos valores do mercado imobiliário de Manhattan, são obrigados a viver separados, cada um morando com amigos ou parentes, numa convivência difícil para todos.

Apesar do título, não há nada de estranho com Ben e George. Independente de sua orientação sexual, o que os dois enfrentam é a perda da dignidade, justamente após o momento que parecia coroar toda uma vida juntos. Lithgow e Molina tornam crível esse relacionamento de longa data, assim como cada sentimento. E o filme, para o bem ou para mal, não parte para a denúncia social, deixando de lado as causas do ocaso dos protagonistas em prol de uma narrativa intimista que observa, com compaixão, o difícil recomeço de um casal separado pelas pressões econômicas.

Para um público maduro (e sem preconceito), O Amor é Estranho é um recomendável retrato contemporâneo das agruras da velhice em meio à crise – e uma austera história de amor longevo, sem clichês ou nudez – muito além do pejorativo rótulo de filme gay.

 

 

 

 

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