NAMORADOS PARA SEMPRE – Blue Valentine

Cartaz do filme NAMORADOS PARA SEMPRE – Blue Valentine

Opinião

 

DIREÇÃO: Derek Cianfrance

ROTEIRO: Derek Cianfrance, Cami Delavigne

ELENCO: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka, John Doman, Mike Vogel
Estados Unidos, 2010 (112 min)

Assistam a Blue Valentine, mas tenham em mente que Cindy e Dean não são namorados para sempre. Desculpe se isso frustra suas expectativas quanto ao lado romântico do filme e ao seu lançamento perto do Dia dos Namorados. Mas se estava esperando assistir a uma história de amor cheia de graça, diversão, estilo feitos-um-para-o-outro, nada feito. A idéia central do Cine Garimpo é que você escolha um filme de acordo com seu estado de espírito e acerte na mosca, não é mesmo? Pois é. Se quiser romance leve e gostoso, garimpe outros no blog, porque Blue Valentine definitivamente não é o que você procura.

Agora, se quer vivenciar uma história de amor intensa, profunda e extremamente realista, não se decepcionará – o filme é muito bom. A fronteira entre a ficção e o retrato real da intimidade do casal é tênue. A maneira de falar das dificuldades de lidar com as expectativas a respeito dos anos que estão por vir (afinal, ninguém se casa para se separar) é implacável, quase um tapa na cara. Fiquei boquiaberta com a força do filme, com a amargura, a decepção e a desesperança na reconquista, com o desgaste da intimidade que ronda o casal depois de 6 anos de convívio e uma filha. São muitas as diferenças se sobrepondo à doação e ao amor originais, à alegria da vida, que no princípio perambula só pelo campo do sentimento e não é capaz de invadir a seara da vida prática, das contas a pagar, da rotina.

Além de um roteiro que privilegia um flashback sutil, numa narrativa não-linear e bastante inteligente, que muitas vezes se confunde com o presente, da câmera que nunca se afasta muito dos protagonistas, o que os traz ainda mais para perto de nós, o trunfo é o casal Michelle Williams e Ryan Gosling (também em Entre Segredos e Mentiras, Amor a Toda Prova). É como se eles se perguntassem o tempo todo: “onde é que foi parar aquele amor?”. Conseguem mostrar que há um limite humano, muitas vezes inexplicável, para o convívio. Portanto, digo e reitero: não há namoro para sempre como diz a triste tradução em português. O que há é um sentimento de incapacidade e de incompreensão da condição de amar (e aqui entra o sentimento “blue” do título original, que engloba inclusive o argumento de estar deprimido e não saber ao certo a razão). Por tudo isso e mais um pouco, não abro mão do título original. Não perca o filme, mas cuidado para a tradução não pegar você desavisado.

Comentários