MOTHER – Madeo

Cartaz do filme MOTHER – Madeo

Opinião

Mother foi exibido na seleção Um Certo Olhar, de Cannes, em 2009. Sei que serei repetitiva, mas digo de novo que adoro essa classificação do festival francês. Esses filmes têm de fato algo diferente, um olhar particular, como Pecado da Carne e A Banda, já publicados aqui. Toda vez que me deparo com filmes que foram celebrados com esse “certo olhar”, fico feliz com a sensibilidade possível do cinema.

O filme é uma grata surpresa. Visualmente, Mother é bonito, cheio de detalhes, cenários minuciosos da vida simples na Coreia do Sul – o mercadinho de grãos, as refeições, o figurino, os campos, a acupuntura, os enquadramentos, a luz. Já é um ponto positivo forte.

Agora, revelador é o roteiro. O filme é um suspense, em que um rapaz é preso inocentemente, acusado de ter assassinado uma garota. Parece que ele tem sua capacidade intelectual comprometida – pelo menos é assim que sua mãe o vê e por isso o superprotege (repare na cena em que ela leva o prato de sopa, para que o filho tome enquanto espera o ônibus). E é esse sentimento de responsabilidade materna que leva essa mãe do título a investigar o crime – ela acredita na sua inocência e vai até o limite da racionalidade para salvá-lo.

Encontrar o ponto exato da coxa para colocar a agulha de acupuntura faria o paciente esquecer as lembranças ruins – pelo menos é isso que ela revela. Dizem que o amor incondicional é justamente esse maternal – que nem o paternal se encaixaria nessa categoria. Será? Mas se a acupuntura ainda ajuda a esquecer, uma mãe é capaz de tudo mesmo. De esquecer até – e principalmente – dela mesma.

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