MEU AMIGO HINDU – My Hindu Friend

Cartaz do filme MEU AMIGO HINDU – My Hindu Friend

Opinião

Pode até ser que você ache autobiográfico, ou uma obra de autoficção, como andam dizendo por aí dos filmes ficcionais que trazem elementos e passagens reais da vida do diretor, como a luta contra o câncer, neste caso. Mas Hector Babenco, também de Carandiru, não quer que seja assim. “Pensar que Meu Amigo Hindu é minha autobiografia é reducionista; o filme é mais do que isso”, reflete ele durante a entrevista coletiva, depois da exibição do filme para a imprensa. Calmamente e com muito bom humor, ele resume: “O filme fala muito sobre o cinema e a vida – que são praticamente a mesma coisa”.

E é mesmo. Babenco deixa claro que filme é o que ele sabe fazer, que o cinema se transforma, que pede coisas novas, que o inconsciente é um mau cinema e que ele, com consciência, é um homem com cinema. E diz mais, numa metáfora perfeita: “a casa da ficção é construída com os mesmos tijolos do que a casa real”. Portanto, se confundem, vida e cinema. Básico, a gente sabe. “Eu não quis dizer algo específico com esse filme”, completa. “Construi a partir de memórias pessoais, tendo como ponto de partida a cena final.” É a última – e linda! – em que a atriz Barbara Paz dança na chuva. “Vivemos de verdade uma cena parecida há cinco anos “, lembra Barbara Paz, que foi casada com o diretor e faz, no filme, um papel muito parecido com a sua própria história. “Foi difícil me distanciar do personagem, porque tem muito de mi ali na tela. Por isso foi bom ter sido falado em inglês.”

Meu Amigo Hindu é todo falado em inglês. O protagonista é o ator americano Willem Dafoe, no papel de Diego, o cineasta. Causa um pouco de estranheza ver Maria Fernanda Cândido, Barbara Paz, Selton Mello, Guilherme Weber falando inglês, mas não incomoda. Bem feito e intenso, mostra a luta pela vida e pela alegria de viver. O filme vai do negro à luz, da doença ao reencontro com a alegria. Diego é um cineasta que, ao receber a notícia de que tem poucos meses de vida, casa-se com sua companheira, parte para os Estados Unidos para fazer o tratamento e a partir daí sua vida se transforma. “Muitas cenas foram cortadas, para que fosse possível contar a história”, explica Babenco. “Às vezes é preciso ocultar as informações para que apareça algo importante.” De fato. O filme constrói personagens, desconstrói histórias, para mostrar um trajetória. Sem ser auto-ajuda, sem querer transmitir uma mensagem de vida.  É simplesmente uma história. De esperança.

 

 

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