PONTO FINAL – Match Point

Cartaz do filme PONTO FINAL – Match Point

Opinião

É assustador pensar que grande parte dos passos que damos na vida dependem da sorte. Se é assim, é o mesmo que dizer que grande parte das nossas vidas está, literalmente, fora do nosso controle. Quem tem a sorte de estar na hora certa, no lugar certo, pode dar uma virada no destino. Quem não tem, pode por tudo a perder.

Match Point (ou Ponto Final, em português) não deveria ser traduzido. O título original faz referência ao último ponto do jogo de tênis, aquele que decide quem ganha, quem perde. Tem tudo a ver com o tema do filme, com a profissão do personagem Chris (Jonathan Rhys Meyers), com suas escolhas e com a sorte ou azar no momento chave. A tradução “Ponto Final” desprezou parte dessa sutileza à la Woody Allen – muito bem colocada, por sinal.

Aliás, falando do diretor, vale dizer que, embora relacionemos sua imagem à Nova York (onde filmou Hannah e Suas Irmãs, Manhattan, Tudo Pode Dar Certo) ele tem se dado muito bem em outros ambientes. Foi assim em Barcelona com Vicky Cristina Barcelona (também com Scarlett Johansson) e Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, filmado nas ruas de Londres. Match Point também acontece no ritmo da vida londrina, com direito ao London Eye, à Tate Modern, ópera, cinema, além da vida empresarial e comercial de luxo da cidade.

Nesse panorama – sempre muito agradável, vale dizer – o romance entre Chris e Nola anda e desanda, permeando pelo glamour da vida dos aristocratas ingleses, pelas conveniências do dinheiros, pelas frustrações, pelo desespero, pela sorte e pelo azar. Aliás, trocando em miúdos, se eu só tivesse transcrito a fala de um dos personagens, já bastaria para dar o tom. Em tradução livre, ele diz que é melhor desejar que alguém tenha sorte na vida, do que desejar que seja uma boa pessoa. Faz toda a diferença. Match Point é imperdível, uma jogada de mestre de Woody Allen. Com ponto para ele.

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