MARRIAGE STORY

Cartaz do filme MARRIAGE STORY

Opinião

Marriage Story não é a história de um casamento, mas sim de um divórcio. Mas como Noah Baumbach não dá ponto sem nó e consegue magistralmente descrever as nuances mais íntimas da delicada engrenagem do casamento, o que ele quer dizer é que não há divórcio sem casamento. Os dois momentos andam juntos, são interdependentes, não acontecem sozinhos. No caso de Nicole e Charlie, mais ainda. O divórcio acontece, mas a família continua funcionando na sua função primordial que é seguir na direção do bem de todos.

Também diretor de pérolas como Enquanto Somos Jovens e Frances Ha, Baumbach dirige Scarlett Johansson e Adam Driver com graça, leveza e profundidade. O começo é magistral: conhecemos o casal Nicole e Charlie através da opinião que cada um deles tem sobre o outro, com uma trilha sonora singela, assim como é a linguagem que escolhemos para descrever o outro, reparando em manias e gestos que nem a própria pessoa sabe que tem. Aliás, escolher este começo para entendermos que o divórcio já é uma maneira bastante original de dizer o óbvio: casamento é feito com fortes bases nas expectativas que temos do outro e dos dois juntos. Muito disso é pura ilusão. O rompimento, para se reencontrar, passa a ser o único caminho.

Scarlett e Adam se encaixam perfeitamente, inclusive quando estão desencaixados. Quem rouba a cena e se mete no meio dos dois é a advogada Nora, na pele da sempre contundente Laura Dern. Dela vem falas pontiagudas, fazendo o papel da advogada que quer não só fazer o divórcio, mas desfazer o convívio e o respeito. Beira o cômico, mas não o exagero – talvez uma simbologia do fácil que é perder-se nas expectativas alheias. O bonito da leitura de Baumbach do “descasamento” é o desejo da recuperação da individualidade e reestruturação das relações. Melhor dos mundos, por assim dizer.

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