MAIS QUE MEL – More Than Honey

Cartaz do filme MAIS QUE MEL – More Than Honey
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Opinião

Não sei você, mas eu sempre fiquei intrigada com a vida coletiva das abelhas e formigas. Inúmeras vezes me deparei com formigas em fila indiana cruzando a estrada de terra da fazenda no interior de São Paulo. Parávamos para observar. Era organizado demais da conta. Também me impressionava a proporção das folhas que elas carregavam nas costas, quase do tamanho do corpo. Enormes ou miúdas, mas sempre poderosas. E passíveis de observação – dava para ficar o olhando sem que significassem uma ameaça – acho que é por isso que as formigas me chamavam mais atenção no quisito “trabalho em equipe” do que as abelhas.

Sim, porque observar abelhas trabalhando é um pouco mais perigoso. Tem que achar a colmeia, aproximar-se sem perturbar e sem correr risco de levar uma ou milhares de picadas. Claro que dava para observar o trabalho de polinização nas flores, mas a fila indiana das formigas sempre me pareceu mais sistemática, processual, estilo linha de produção. Com começo, meio e fim, propósito e objetivo. Um exemplo a seguir.

Falo das formigas, mas este filme é sobre abelhas e realmente vai muito além do mel que elas sabiamente produzem. Mais Que Mel é uma viagem pelo universo desses animais, não somente na sua trajetória natural de polinização, produção de mel, acasalamento, construção da colmeia e hierarquização das funções, mas também na interferência do homem no processo para benefício da agricultura. Filmado na Suiça, Califórnia, China e Austrália, o documentário satisfez parte da minha curiosidade: me colocou dentro de uma colmeia, como espectadora. As imagens são fascinantes e merecem ser apreciadas.

Por outro lado, é montado de forma didática, já que muita gente não deve ter conhecimento sobre tudo aquilo que gira em torno desses animais. Fiquei sabendo, por exemplo, que a colheita de amêndoas na Califórnia depende em grande parte da polinização das abelhas durante a primavera. Para tanto, milhares de colmeias são levadas de caminhão para a região para que trabalhem sem parar. Assim as flores darão frutos, que serão colhidos e exportados mundo afora. Quem está acostumado com a manipulação de animais de grande porte para cruzamento de raças, melhorias, formação de rebanhos, pode transportar tudo isso para a produção de novas colmeias, com suas rainhas e seu exército.Tudo comercializado pelos apicultores no mundo todo, numa rentável atividade que, em alguns lugares como os vilarejos suíços, passam de pai para filho.

Também fiquei sabendo que a população de abelhas diminuiu drasticamente, o que prejudica muito a agricultura. Consequências das mudanças climáticas e de todas as interferências irresponsáveis dos homens. Na China, por exemplo, as abelhas sumiram. Quem tem que polinizar é o homem, que está longe de ser eficiente como elas.

Ainda quero me ver dentro do formigueiro, para entender o que aqueles seres fazem com as folhas enormes que carregam nas costas quando atravessam as estradas de terra. Mais Que Mel aguçou a minha curiosidade e me deixou encantada com a beleza da fotografia, com a proposta de interesse ambiental e com o cunho didático da profissão dos apicultores. Nunca vou me esquecer a maravilha que é deixar escorrer o mel do favo, comer e se lambuzar. Agora ele tem um sabor ainda mais especial.

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