LOUCAS DE ALEGRIA – La Pazza Gioia

Cartaz do filme LOUCAS DE ALEGRIA – La Pazza Gioia

Opinião

Lembro bem quando li O Alienista, de Machado de Assis, na escola. Aliás, toda vez que surge um rótulo de comportamento nesse quesito “loucura”, lembro-me do Dr. Simão Bacamarte. Em linhas gerais é o seguinte: estudando os padrões de comportamento, este médico percebeu que aqueles que tinham desvio de personalidade deveriam ficar internados. Quando se dá conta de que a maior parte da população estava no hospital psiquiátrico, percebeu que ter desvios é normal e que ele, que tinha estabilidade emocional, era o louco da história. Solta todo mundo e se fecha, sozinho, no manicômio que havia criado.

Nise: No Coração da Loucura e Bicho de Sete Cabeças vão nesse caminho do julgamento prévio e da instalação do rótulo que priva o paciente da cura e instaura o caos. Em Loucas de Alegria, duas mulheres se conhecem num hospital psiquiátrico, enfrentam problemas familiares e situações incompreendidas, são tratadas como loucas e não têm como buscar um processo de cura interior. O sistema não comporta; o ser humano não admite.

Paolo Virzi, diretor do ótimo Capital Humano, traz à tona o transtorno de personalidade recheado com algumas pérolas: suaviza a crueldade com humor, amizade e cumplicidade. Donatella e Beatrice saem pelo mundo no estilo “Telma & Louise”, se conhecem no meio do caos que cada uma vive internamente, mas são sinceras e espontâneas. No meio de situações divertidas e de tanta hipocrisia, o que ressalta é o lado humano das relações, a amizade e, sobretudo, a esperança.

 

 

 

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