LINCOLN

Cartaz do filme LINCOLN

Opinião

Lincoln não é arrastado, longo demais. É denso. Portanto, antes de qualquer comentário, fica avisado: quem não gosta de filme histórico, carregado de diálogos importantes e imponentes, de suma importância para a contextualização do filme e seu entendimento, pode garimpar outro filme aqui no blog. E não tem problema não gostar, é só uma questão de alinhar expectativas. Vá descansado, porque o filme tem duas horas e meia de duração e exige atenção. Ainda mais para nós, brasileiros, que temos a Guerra Civil americana como um fator histórico estudado em linhas gerais e não estamos obrigatoriamente familiarizados com este fato específico da vida de Abraham Lincoln e dos Estados Unidos.

Lincoln não é lento, tem o ritmo necessário para contar a história que Steven Spielberg magistralmente consegue contar (aliás, o diretor volta à sua velha forma, deixando produções como Cavalo de Guerra caírem no esquecimento…). Tem iluminação na medida certa, figurino, construção de época impecáveis para nos colocar no ano 1865, quando a Guerra de Secessão já fez centenas de milhares de mortos entre o norte industrial e o sul escravocrata. Tem um ritmo adequado para que coubessem os diálogos, argumentos, explicações e os famosos contos do presidente na tela.

Sem falar na joia da coroa, o talentosíssimo Daniel Day-Lewis (também em Meu Pé Esquerdo, Em Nome do Pai), que além de ser parecido com Lincoln, o caracteriza como ninguém. A semelhança física é assombrosa, e a atuação, irreparável. Aliás, merece o Oscar (o filme concorre em 12 categorias, entre elas melhor filme, diretor, ator, roteiro adaptado, ator e atriz coadjuvante). Na pele de Lewis, o Lincoln de Spielberg é espirituoso, persistente e audacioso. Decide lutar pela aprovação da emenda que aboliria a escravatura, que tiraria dos estados do sul seu trunfo colonialista e abalaria fortemente sua economia. Mas tem visão, e por isso é mais uma vítima assassinada por fanáticos. Tudo bem que os estados do norte já tinham uma condição diferenciada de desenvolvimento industrial e humano, mas a atitude de Lincoln de terminar a guerra, unir definitivamente o país e libertar os escravos foi decisória para o país ser o que é hoje.

Até por esse viés histórico vale a pena – mas não só por isso. Vale porque é cinema de qualidade, porque é roteiro bem feito, porque todos os detalhes são partes de um todo muito bem cuidado. Também acho que não agrada a todos – por isso, escolha de acordo com seu estado de espírito. Para os aventureiros, ótima viagem.

 

 

 

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