JUNO

Cartaz do filme JUNO

Opinião

Juno é imperdível: consegue tratar o assunto “gravidez na adolescência” com graça, leveza e seriedade, sem que para isso o tema seja banalizado ou tenha um tom agressivo. Ellen Page é formidável na pele de Juno. Grávida do amigo – nem namorado era – ela se vê no dilema de o que fazer e como conduzir a gravidez – caso seja essa a opção. A história se desenrola e a partir daí é uma sucessão de cenas despretensiosas, de tiradas engraçadas, de situações caricatas da adolescência. Tudo com muita cor e música (a trilha sonora é muito bonita, lembra a brasileira Mallu Magalhães).

O grande diferencial do filme – que faz toda a diferença e faz dele um filme delicioso (me lembra inclusive 500 dias com ela) – é a relação que Juno estabelece com o mundo a seu redor. É uma adolescente típica, em termos de humores, dúvidas, inseguranças, irresponsabilidades – mas também é diferente das outras. Descolada, espirituosa e autêntica, fala o que vem na cabeça, tem uma relação aberta com o pai e a madrasta, narra a sua própria história – o que já mostra ser uma pessoa mais consciente das suas dúvidas, por assim dizer. E é esse questionamento que garante os bons diálogos do filme.

Atenção à primeira cena do filme. O diretor Jason Reitman (também de Amor sem Escalas) dirige Juno entrando pela enésima vez em uma daquelas lojas americanas em que se vende de tudo, inclusive teste de gravidez. Ela se entope de suco de laranja e vai, lá mesmo, no banheiro da loja, checar se o positivo dos testes anteriores é verdadeiro ou não. Não há tabu ou vergonha que a impeçam de ser verdadeira e assumir o que fez. Foi aí, já de cara, que Juno diz a que veio.

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