IRINA PALM

Cartaz do filme IRINA PALM
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Opinião

Irina Palm é interessante por dois motivos: primeiro por se tratar da história de uma avó que trabalha na indústria do sexo sem que isso seja tratado de uma forma vulgar; segundo, porque fica a pergunta: até que ponto podemos ir para salvar a vida de quem se ama? Bem europeu, mais lento e mais reflexivo – mas nem por isso monótono – tem um ritmo que nos permite acompanhar primeiro a agonia dessa avó, depois a sua certeza de que tudo dará certo. A personagem cresce, toma pé da situação e sacode a poeira. Gosto desse jeito decidido, mulher que toma atitude e não espera que ninguém faça isso por ela.

Irina Palm é o pseudônimo de uma avó que precisa desesperadamente de dinheiro para pagar o tratamento do neto, que está muito doente. Os pais não têm dinheiro e Maggie (Marianne Faithfull) já não tem crédito na praça. Além disso, não consegue emprego, por ser mais velha e não ter experiência de trabalho. Um dia se depara com uma oportunidade em uma boate de strip-tease do Soho londrino: o que seria o trabalho de “recepcionista”? O que faria uma senhora matrona como ela num lugar como aquele? Não vê alternativa senão aceitar.

A partir desse momento, o drama do garoto fica em segundo plano, o inusitado trabalho de Maggie ganha a cena e ela encara aquilo realmente como trabalho. Vence o próprio preconceito, se supera, faz “sucesso” e por isso lança o nome artístico de Irina Palm. Sem julgar pelo mérito do trabalho, ele fecha os olhos e se coloca um objetivo: juntar dinheiro para salvar a vida da criança. A conservadora Maggie assume o risco e a experiência lhe traz uma nova perspectiva de vida.

A atriz Marriane Faithfull tem uma longa carreira como cantora, inclusive com participação, ao lado de Mick Jagger e toda a turma, da farra do sex, drugs and rock and roll dos anos 60 e 70. Não sabia disso quando assisti ao filme. Agora vejo que de ingênua que é sua personagem, Marianne Faithfull não tem nada. Inclusive por isso sua atuação é incrível. Para quem aprecia filmes europeus, vale a pena. O final tem um viés romântico, mas sobretudo de cumplicidade, dela com o neto, dela com sua própria escolha.

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