FORÇA MAIOR – Turist

Cartaz do filme FORÇA MAIOR – Turist

Opinião

Muitas das atitudes que tomamos são por motivo de força maior. Força que sai do controle e do nosso crivo racional. Vem das entranhas, do íntimo e revela porções e sentimentos nossos guardados à sete chaves. Sabe-se lá por quanto tempo. Sabe-se lá com que sequelas. O sueco Força Maior é assim: intenso, poderoso e, por isso, assustador. Assim como a montanha nevada, que vai produzindo uma pequena movimentação de neve bem longe, que se aproxima lentamente, ganha movimento, rapidez, até se transformar numa avalanche. Com os tsunamis é igual – o início é nas profundezas do oceano, uma alteração invisível aos olhos, mas de efeitos devastadores na superfície.

É dessa metáfora que Força Maior lança mão, fazendo uma analogia entre os movimentos transformadores da natureza e aqueles devastadores nas relações humanas. O que é mostrado no começo do filme como uma família linda e feliz, de férias em uma sofisticada estação de esqui na França, vai se transformando assim como a montanha repleta de neve fofa e instável. É numa avalanche real que o casal Tomas e Ebba começam a movimentar os sentimentos guardados dentro deles por anos, ressentimentos de uma relação mal resolvida, de individualidades deixadas de lado, de expectativas não correspondidas, de frases e sentimentos não ditos.

Aliás, eu diria que os cinemas sueco e dinamarquês têm dessas coisas. Tratam do subliminar – e da essência – das relações humanas com a força de uma avalanche, num crescente que a gente mal percebe, até que não dá mais para evitar. Foi assim em A Caça, Submarino e Festa de Família (de Thomas Vinterberg), em Depois do Casamento e Em Um Mundo Melhor (de Susanne Bier) – só para citar alguns. Venceu o prêmio que gosto tanto em Cannes, Un Certain Regard, e foi o indicado da Suécia para a vaga na corrida pelo Oscar de melhor filmes estrangeiro. Força Maior foi uma avalanche de emoções dentro de mim e é de fazer parar para pensar. Profundamente.

 

 

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