ENTRE O AMOR E A PAIXÃO – Take This Waltz

Cartaz do filme ENTRE O AMOR E A PAIXÃO – Take This Waltz

Opinião

Michelle Williams é daquelas atrizes cuja presença fala por si só. Ela já chamou a atenção em O Segredo de Brokeback Mountain, mas foi a partir de Blue Valentine (traduzido com o péssimo título de Namorados para Sempre) que ela disse realmente a que veio. Em seguida, Ilha do Medo e Sete Dias com Marilyn, em que ela se mostra realmente o talento. Eu diria até que ela é o filme.

Mais uma vez Michelle é vítima de títulos toscos. O original é adorável e seria algo como “dance esta valsa”, que aqui é metáfora de uma mudança, de um movimento da vida, da coragem, da negação da monotonia. Pobre Michelle. Mas também esse é um dos poucos poréns, porque o filme é realmente de uma sensibilidade muito grande, embora trate de um assunto absolutamente corriqueiro, lugar comum e no entanto de difícil desenlace. A jornalista Margot é casada há 5 anos com Lou, um sujeito agradável, carinhoso, escritor de livros de culinária. Apesar da estabilidade do casamento, Margot sente um incômodo e agonia constantes, como se algo faltasse, como se buscasse um tempero a mais. A escolha da profissão de Lou é simbólica: escritor de livros de culinária, é especializado em frango e é só isso que ele prepara nas refeições. Sempre a mesma coisa, mais do mesmo.

Claro que cada um sente a monotonia da rotina de uma maneira diferente. E esse é o ponto do filme. Para Lou, isso é alegria, estabilidade, porto seguro; para Margot, é angústia, previsibilidade. O encanto pelo novo vem de uma maneira a desestabilizar tudo, mas o que a diretora Sarah Polley deixa no ar é a seguinte questão-chave: até quando o novo vai permanecer uma novidade? Ele não estaria, também, fadado a envelhecer?

De uma sensibilidade realmente tocante – eu diria que tem algo da forte frustração e constante insatisfação de Blue Valentine em Entre o Amor e a Paixão – o filme emociona, comove e faz parar para pensar.

 

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