ENTRE IDAS E VINDAS

Cartaz do filme ENTRE IDAS E VINDAS

Opinião

Na entrevista coletiva depois da sessão para a imprensa, a sempre divertida Ingrid Guimarães diz que está disposta a fazer outro tipo de cinema. Cinema de autor, aquele que não atrai o grande público, aquele que não é óbvio, que pode sim fazer rir, mas que também faz chorar. Que fala dos sentimentos, das relações. E, claro, como ela é um chamariz natural de bilheteria, quer usar sua imagem para esse nobre projeto: chamar as pessoas para assistir filmes “fora da caixa”. Disse tudo, a Ingrid. O cinema nacional tem um potencial incrível – chamo sempre a atenção para isso aqui no blog. Muito filme bom, que pouca gente viu.

O cinema de autor tem essa pegada mais pessoal, não se preocupa em ser lugar comum. Sai da zona de conforto. Nem acho que esse seja o caso de Entre Idas e Vindas essencialmente. É, mas só em parte. É diferenciado à medida que o diretor e roteirista Belmonte, também de O Gorila, Alemão, Se Nada Mais Der Certo, não se esconde atrás de personagens estereotipados, diálogos apelativos e roteiros repletos de déjà vus. À medida que faz um recorte da vida de pessoas comuns, com fraquezas e fortalezas, encontros e desencontros. Mas também não é, porque é palatável, tem apelo comercial sim, é acessível, engraçado e gostoso de assistir. Portanto, vale seu ingresso.

Finalmente, o filme em si: um road movie, em que quatro amigas partem em um motorhome pelo litoral paulista, encontram no caminho um sujeito com o filho (Fabio Assunção e seu filho João), que estão encrencados, sem carro e precisam de carona. Sobem no trailer e seguem todos viagem – carregando com eles suas histórias e trocando experiências. O quarteto é bem divertido e o romance vai te pegar de jeito. São relações de gente como a gente – homem que chora e não tem medo de se mostrar fragilizado; mulher que se supera e tira a máscara da dor para viver o que a vida lhe oferece de bom; amizade que se fortalece nos erros. Sem que para isso seja preciso fazer um filme duro e árduo de assistir. Pelo contrário. Entre Idas e Vindas é uma delícia.

 

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