ELIS

Cartaz do filme ELIS

Opinião

É intriga da oposição dizer que ELIS não tem emoção. Poderia ser mais emocionante? Sim, poderia. Porque Elis era assim: já dizia a que veio e não saía sem deixar traços bem marcados. Mas a escolha foi por um filme linear, cronológico, didático, que se adapta bem no streaming. Para o grande público, pode ser — o que não é de todo ruim, porque possibilita que circule e que a história da cantora chegue mais longe, inclusive atingindo uma geração que não a conheceu.

Faltou Tom Jobim – apesar de a cena inicial dela cantando Como Nossos Pais ser linda, senti falta de Águas de Marçomúsica de memória afetiva da infância. Amei ouvi-la cantar, com interpretação corajosa de Andréia Horta. Como se parecem, as duas. A voz que se ouve é de Elis, mas é preciso dizer que a sincronização labial é perfeita – até parece que Andréia canta de verdade.

Sua morte foi suavizada no quesito drogas-álcool, seus relacionamentos foram amenizados, sem tanta dramaticidade. Mas a cinebiografia conta com o elenco cuidadosamente trabalhado, composto por Julio Andrade, Caco Ciocler, Lúcio Mauro Filho, Gustavo Machado, Zécarlos Machado. Seria maravilhoso ter um documentário, com a força que vimos no filme sobre Cássia Eller, por exemplo. Documentário com toda a força do cinema. Mas coloco ELIS na prateleira das biografias bacanas sobre artistas brasileiros memoráveis como Gonzaga: De Pai Pra Filho, Tim Maia, Somos Tão Jovens, Cazuza, Raul – O Início, o Fim e O Meio, A Música Segundo Tom Jobim, Cassia Eller. E fico aguardando a próxima produção sobre ela. De tão complexa, rende ainda muito o que falar – e ouvir.

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