E SE VIVÊSSEMOS TODOS JUNTOS? Et Si on Vivait Tous Ensemble?

Cartaz do filme E SE VIVÊSSEMOS TODOS JUNTOS? Et Si on Vivait Tous Ensemble?

Opinião

O assunto realmente está em voga. Como será a sua vida quando a terceira idade chegar? Quem cuidará das senhoras e senhores que, tratados pelos avanços maravilhosos da ciência, viverão bem mais do que viveram as gerações passadas? Como estreitar os laços de amizade e afeto, quando os filhos já não querem, ou não têm tempo, de se ocupar das manias, doenças, conversas e tempo livre de seus pais? Já comentei isso quando falei de O Exótico Hotel Marigold. É preciso se reinventar, olhar a vida por um outro prisma, tirar proveito da experiência e vivência passadas. E por que não com aqueles que também passam pelo mesmo momento?

E Se Vivêsssemos Todos Juntos dá essa sugestão. Por que não juntar as forças e vontades, que ainda são muitas, e morar na mesma casa? Jean, Annie, Albert, Jeanne e Claude são amigos de longa data, viveram aventuras na juventude, conhecem a vida uns dos outros na palma da mão, mas ainda conseguem se surpreender. Jeanne (Jane Fonda) tem um câncer sem cura, é casada com Albert (Pierre Richard), que já está bastante esquecido; Jean (Guy Bedos) tem boa saúde, é casado com Annie (Geraldine Chaplin), que também consegue dar conta do seu recado. Já o solteiro e mulherengo Claude (Claude Rich) tem uma saúde frágil e precisa de cuidados. Dividir o mesmo teto vem como uma solução e uma metáfora da partilha preciosa e necessária nessa fase da vida. Embora lide com a morte, o diretor não enfatiza o drama, mas as situações comuns – muitas vezes tragicômicas – dos cinco amigos. Para ajudá-los, o jovem alemão Dirk (Daniel Brühl, também em Adeus, Lênin!, Salvador, Bastardos Inglórios) entra em ação e é a partir da sua relação com os cinco que surgem algumas reflexões importantes e interessantes sobre a passagem do tempo, a construção do casamento, o companheirismo que dura até a morte.

Delicioso de assistir, o filme é, acima de qualquer outro rótulo, humano. Não dramatiza, nem banaliza demais. Retrata. E joga uma bonita luz na virtude da experiência e da amizade, com personagens que realmente parecem se conhecer além da conta. Sem perder o humor!

 


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