DJANGO LIVRE – Django Unchained

Cartaz do filme DJANGO LIVRE – Django Unchained

Opinião

Curioso termos dois filmes em cartaz que abordam o tema da escravidão nos Estados Unidos. Enquanto Lincoln, de Steven Spielberg, é austero, escuro, denso, sério demais para alguns, histórico demais para outros, Django Livre é irônico, tem uma linguagem escolhida a dedo por Tarantino para ter humor, sátira, aspereza; tem tiro e violência descarada para contar a descarada história da humanidade. Assim como em Bastardos Inglórios, em que Tarantino exibe com maestria a frieza nazista e amarra como ninguém a trajetória da vingança, em Django Livre ele se vinga dos aristocratas, dos traficantes de escravos, dos malfeitores com talento semelhante. Simplesmente genial!

Não é qualquer um que faz o que Tarantino é capaz de fazer com uma parte da história da humanidade (aqui representada pela realidade dos Estados Unidos em 1858, antes da Guerra Civil, justamente quando Lincoln dará alforria aos negros americanos). Com tantos elementos na mão, é fácil cair no relato histórico pura e simplesmente. Embora sanguinário, embora muito sangue espirre da tela e o faroeste seja realmente implacável e incansável, o que é mais ferino e certeiro é a linguagem. Verbal e gestual. Na sutileza das escolhas dos diálogos e personagens, Tarantino escreve um roteiro que merece reconhecimento.

A começar pelo protagonista Django (Jamie Foxx, também em Ray, O Solista), em toda a sua intensidade e precisão na pele do escravo que é cruelmente castigado pelos feitores da fazenda onde trabalha por tentativa de fuga, separado de sua esposa e vendido a outros mercadores. O destino o coloca de frente para um caçador de recompensas, que o liberta e precisa da sua ajuda para localizar pessoas procuradas pela justiça – normalmente envolvidas com o tráfego negreiro. Na companhia do Dr. Schultz, o espetacular Christoph Waltz (também em Bastardos Inglórios, Deus da Carnificina e meu candidato ao Oscar de melhor ator coadjuvante), eles saem a procura dos malfeitores pelo Texas e Mississippi para ganhar dinheiro e conseguir resgatar a bela Brunhilde (Kerry Washington), que foi vendida para o rico fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio, também em A Origem, Ilha do Medo, Diamante de Sangue, J.Edgar).

Django Livre é imperdível, em todos os aspectos. No histórico, no estético, na escolha do elenco. Mas principalmente na sutil, inteligente e criativa escolha da linguagem, diálogos, gestos, entrelinhas, detalhes. O todo só é tão interessante porque é feito de detalhes que poucos teriam ideia ou capacidade de fazer.

Para quem gosta do diretor, aproveite a mostra Mondo Tarantino (veja detalhes aqui no blog).

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