DEPOIS DE LÚCIA – Después de Lucía

Cartaz do filme DEPOIS DE LÚCIA – Después de Lucía
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Opinião

depois de luciaDIREÇÃO e ROTEIRO: Michel Franco

ELENCO: Tessa Ia, Hernán Mendoza, Gonzalo Vega Sisto, Francisco Rueda, Paloma Cervantes

México, França, 2012 (103 min)

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Adoro a categoria Un Certain Regard – uma amostra paralela que ocorre no Festival de Cannes (há outros filmes desta categoria Um Certo Olhar no blog). Prescinde de explicações: ela seleciona e premia filmes que abordem um tema sob um prisma diferente, inusitado, sob outra perspectiva. E mais, dá a chance de diretores desconhecidos virem à tona. Tudo isso pra dizer que Depois de Lúcia foi o vencedor da categoria em 2012 e é, de fato, arrebatador.

Toca no assunto polêmico e muito atual (não que não existisse antes, convenhamos) do bullying. É que agora, dado nome aos bois, rotula-se tudo de bullying. Maus tratos em casa e na escola, com intenção de diminuir, criticar, depreciar o outro é bullying. E a coisa está ficando muito séria, ainda mais com novas ferramentas eletrônicas de intimidação.

Há cenas em Depois de Lúcia que realmente dão vontade de fechar o olho. É o que muitas escolas e pais têm feito, inclusive. Mais fácil, assim não dá mais trabalho do que já é natural. Ou ainda, o que é pior: muitas vezes fica difícil perceber. O medo paralisa, afinal de contas. Alejandra (Tessa Ia) tem 15 anos, perde a mãe e tem que sair de uma pequena cidade litorânea e se mudar para a Cidade do México por causa do emprego do pai. Amoroso e preocupado, este pai precisa se adaptar à nova rotina sem a esposa e conta com uma relação boa com a filha – o que seria um grande trunfo e um porto seguro para os dois diante das ameaças da nova vida.

Mas a realidade escolar de Alejandra não é bem o que ela imaginava e a comunicação com o pai fica truncada, superficial. As armadilhas são constantes, deliberadamente aramadas pelos colegas dissimulados, egoístas e egocêntricos. Assédio, intimidação, humilhação constantes. Física, emocional, verbal. O retrato é cruel, mas o olhar do diretor é preciso, sofrido e muito real.  Pais, educadores, adolescentes: assistam! É perturbador, mas necessário.

 

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