CONTRACORRENTE – Contracorriente

Cartaz do filme CONTRACORRENTE – Contracorriente

Opinião

Acho sempre ousado – e perigoso – abordar a homossexualidade no cinema. Ousado, porque sempre foi tabu, embora seja cada vez menos; perigoso, porque nem sempre é o enredo é o centro, mas sim o tema homossexualismo – e cair no clichê ou errar no tom acaba ficando mais fácil. Em Contracorrente, embora o diretor peruano Javier Fuentes-Léon explore o triângulo amoroso entre dois gays e uma mulher, consegue manter um tom suave, sem levantar bandeira nenhuma. Sua câmera é quase uma observadora – sem falar que registra imagens lindas do litoral peruano, além de bonitos enquadramentos.

Quando comentei sobre o filme Do Começo ao Fim, disse que algo me incomodava na maneira com que o tema “homossexualidade” foi tratado. Aqui não. Acho que é por causa da construção do protagonista Miguel (Cristian Mercado), um pescador que se apaixona pelo fotógrafo Santiago (Manolo Cardona), mas também se mostra genuinamente feliz com sua mulher Mariela (Tatiana Astengo, que por sinal está muito bem), grávida do primeiro filho do casa. Assisti sem saber nada sobre o tom surrealista que tem o filme – o que muitas resenhas estão revelando. E acho que esse é o grande charme do roteiro – por isso, da minha parte, fica a surpresa.

Vencedor do prêmio de público no Festival de Sundance, foi a opção peruana para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro, mas não passou na primeira seleção, diferente do também interessante A Teta Assustada, da também peruana Claudia Llosa, que foi indicado na mesma categoria. Tem algo semelhante nos filmes, algo próprio da cultura e da fisionomia do povo peruano, que traz mais para perto a realidade dos países andinos. Contracorrente mostra-se simples na produção, porém maduro no enfoque humano.

 

 Outros filmes sobre o tema homossexualidade: Do Começo ao FimComo Esquecer e Teus Olhos Meus (brasileiros), Direito de Amar Milk – A Voz da Igualdade (americano), Pecado da Carne (israelense), Tomboy (francês),

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