CONDUZINDO MISS DAISY – Driving Miss Daisy

Cartaz do filme CONDUZINDO MISS DAISY – Driving Miss Daisy

Opinião

 

Ao escrever sobre O Último Dançarino de Mao, em cartaz, me dei conta de que Bruce Beresford também dirigiu Conduzindo Miss Daisy. Vencedor do Oscar de melhor atriz para Jessica Tandi (também em Tomates Verdes Fritos), melhor filme e roteiro adaptado, é infinitamente melhor e mais profundo do que o filme sobre o bailarino chinês (não estou desmerecendo, mas são produções de patamares totalmente distintos, veja o comentário no link do filme).

Mas isso foi em 1989 e no auge dos meus 19 anos não fui capaz de sentir a profundidade dessa obra, nem da amizade entre o motorista negro e a patroa judia. Não como hoje. Além do fator óbvio da idade, o que está em jogo aqui é a vivência. Entender que uma amizade se constrói nas diferenças e respeito mútuo é algo possível se vivido. Sem querer que isso pareça um discurso moralista, daqueles que enaltecem a experiência de vida, é verdade que com 20 e tantos anos a mais Conduzindo Miss Daisy me tocou fundo, não como um triste relato da velhice que chega inclemente, arrebata quem vê pela frente e dá um fim em vidas muitas vezes mal vividas, mas como uma homenagem à tolerância, uma prova de que ela compensa, de que os diversos se complementam nas características, no temperamento, nas trocas de experiências. Lembra o belo filme francês Minhas Tardes com Margueritte, com Gérard Depardieu e Gisèle Casadesus (também recomendo).

Para quem não viu, Miss Daisy é uma senhora judia viúva totalmente ativa, independente e muito dona de si, que vive seus 70 anos sozinha em uma casa grande e confortável no estado da Georgia, da maneira que lhe convém. Vai onde quiser, na hora que quiser, sem que seja preciso pedir permissão a ninguém. Até que se mete em um acidente e seu filho Bollie (Dan Aykroyd) se convence de que a mãe precisa de um motorista. Sob protestos, Hoke (Morgan Freeman, também em Invictus, Winter, O Golfinho) é contratado para acompanhá-la e, aos poucos, vai conquistando a confiança de Miss Daisy, até realmente fazer parte da sua vida.

Conduzindo Miss Daisy é uma emoção do começo ao fim. Toca também no ponto do preconceito, numa Georgia ainda tomada pelo racismo. Uma judia e um negro, numa bonita e emocionante reverência à amizade. A parte da velhice… deixe pra lá. Também emociona, mas traz um alento, talvez seja o do envelhecer compartilhado. Mas ele não vem por acaso, nem de uma hora para outra. É preciso uma vida toda de dedicação à amizade. Nunca é tarde para começar…

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