CAFÉ SOCIETY

Cartaz do filme CAFÉ SOCIETY

Opinião

Café Society é um filme de amor. Fico impressionada cada vez que assisto aos filmes de Woody Allen: ele tem 80 anos, produz sem parar – e sem dar qualquer indicação de que vai se aposentar – e consegue tratar as questões de relacionamento como ninguém. Aqui, acho até que ele abandona o fatalismo das relações, as dificuldades inerentes das diferenças e interdependências masculinas e femininas e lança mão de uma visão mais otimista sobre o amor. De que não dá pra deixá-lo guardado pra sempre debaixo do tapete. Amor de verdade, acaba vindo à tona.

O que parece é que Jesse Eisenberg faz o papel de Allen – até os trejeitos são parecidos. Mas o diretor diz que não é um filme autobiográfico, que não foi pra Hollywood tentar a vida, que não tinha parente influente na indústria do cinema. Mesmo assim, a semelhança é impressionante. Jesse é Bobby, um rapaz que vai pra Los Angeles, pede emprego para o tio influente e rico (Steve Carell, também em Foxcatcher), apaixona-se por uma garota (Kristen Stewart, também em Para Sempre Alice) e investe todas as suas fichas nesse relacionamento.

Apresentado em Cannes neste ano, Café Society ficou fora da seleção oficial. Quando perguntado, na entrevista coletiva, por que seus filmes não entravam na competição, Allen respondeu: “Não acredito em competição. Isso serve pra esporte. O filme que pode ser bom para um crítico, pode ser chato para outro. É tudo muito subjetivo. Não dá pra dizer que um Matisse é melhor que um Picasso. Pode dizer qual o seu favorito e isso é razoável, mas você pode ter 10 opiniões diferentes sobre o mesmo filme. Mas julgar o filme de outro? Eu nunca faria. Eu não acredito nisso. Estar na competição é ir contra meu bom senso”. E faz sentido. Ainda mais em se tratando de um filme seu: tem sua marca registrada na trilha sonora do jazz, nos créditos no letreiro inicial à moda antiga, na narração com sua própria voz, na temática das relações humanas. É autêntico demais pra ser comparado.

E acredite: não é chato como alguns tendem a rotular. Este Woody Allen com 80 anos (nem ele acredita!) está mais antenado do que nunca. Registra a vida como uma comédia de costumes, indo direto ao ponto, sem dourar a pílula. Parafraseando seu personagem, “a vida é uma comédia escrita por um comediante sádico”. É isso, tem humor, romantismo e realidade. Não adianta, não tem mundo cor de rosa.

 

 

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