BLING RING – A GANGUE DE HOLLYWOOD

Cartaz do filme BLING RING – A GANGUE DE HOLLYWOOD

Opinião

É inacreditável pensar que uma celebridade como Paris Hilton vai viajar e larga sua casa destrancada, com a chave debaixo do capacho, sem alarme ou qualquer segurança. Seria inacreditável se não tivéssemos a certeza de que foi verdade. Sabendo disso, um grupo de adolescentes criou um hobby que lhe rendeu cerca de US$ 3 milhões. Elas ficavam de olho na internet para saber quem estaria viajando naquele dia, invadiam a casa da pessoa famosa, roubavam roupas, joias, acessórios e tudo mais que fosse sinônimo de poder. E pior: contavam pra todo mundo! Sofia Coppola garimpou uma boa história, que foi publicada pela jornalista Nancy Jo Sales na Vanity Fair em 2010 e depois transformada em livro. Tão boa que parece até mentira.

Gosto do nome do artigo que Nancy Jo Sales escreveu sobre o grupo de ladras: Os Suspeitos Usavam Louboutins. Disse tudo, ironia pura para quem rouba os ricos e não fica de consciência pesada. Um comportamento sintomático dessa juventude que se inspira no estilo de vida de luxo, gastança e exageros dos ricos e famosos como Paris Hilton, Orlando Bloom, Lindsay Lohan. Além da perda de tempo óbvia, absurdo maior é pensar que se orgulham desse tipo de raciocínio “ela-pode-ter, então-também-posso”.

O grande trunfo do filme é a história em si – um achado. Sofia Coppola constrói a sua versão dos fatos, com base no material da jornalista. Retrata bem esse tipo de comportamento, inclusive com uma boa escolha de elenco, principalmente com Emma Watson, que conseguiu realmente desencarnar da Hermione de Harry Potter (também em As Vantagens de Ser Invisível). Em Encontros e Desencontros e Um Lugar Qualquer, Sofia também lança a reflexão sobre as relações entre as pessoas, seja por conta da fama, seja por conta da expectativa que construímos. Aqui ela faz o retrato dessa geração com valores distorcidos e objetivos escusos. Para quem quiser pensar, fica no ar a questão a figura pública que se expõe demais, a construção da celebridade, a admiração pelo material, o culto ao dinheiro e a grande pergunta que não quer calar: “que consumo absurdo é esse?”.

 

 

 

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