AS ACÁCIAS – Las Acacias

Cartaz do filme AS ACÁCIAS – Las Acacias

Opinião

Road movie dentro da boleia de um caminhão. Simplesmente isso. Não há ações ou conflitos paralelos. Acompanhamos em As Acácias a viagem do caminhoneiro Rubén, que vai de Assunção, no Paraguai, até Buenos Aires entregar uma carga de madeira, como faz há 30 anos. Desta vez, seu patrão pede que dê carona a Jacinta, uma moça que vai visitar a prima na Argentina, em busca de emprego.

O que Rubén não sabia é que Jacinta traria também sua filha, de apenas 5 meses. Desconforto, falta de cavalheirismo e impaciência tomam conta da ‘antirrelação’ entre os dois. Sim, porque na maior parte do tempo, viajamos na boleia praticamente ‘junto’ com eles, sem ouvir uma só palavra. O interessante do filme é que aos poucos, com poucos gestos ou perguntas, o gelo vai se quebrando e a simples presença dessa boa moça e de sua graciosa filha fazem despertar em Rubén sentimentos que nem ele imaginava ainda existirem dentro dele.

Simples e muito humano, As Acácias é sobre as relações que surgem do improvável; sobre a chance que uma pessoa se dá de curar as feridas do passado. Com este longa, o diretor argentino ganhou o prêmio Camera d’Or em Cannes – categoria que premia o melhor diretor estreiante do festival. Mérito dele, porque não há nada demais nessa boleia de caminhão, muito menos nos personagens comuns que são Rubén e Jacinta. Mas é justamente isso que chama a atenção:o olhar aguçado, saber filmar o comum, com um toque quase ingênuo e sensível. Despretensioso, eu diria. Mas muito rico.

 

 

 

 

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