ÁRVORES VERMELHAS – RED TREES

Cartaz do filme ÁRVORES VERMELHAS – RED TREES

Opinião

Muitos são os motivos para assistir a mais um documentário sobre a sobrevivência ao Holocausto – esse fato, por si só, já é motivo suficiente. Em Árvores Vermelhas, no entanto, diria que junto com esse fator, caminha outro de igual importância. Ao revisitar as lembranças de seu pai durante a guerra até os dias de hoje, Marina Willer consegue dar um tom poético ao que foi trágico; sobrepor a arte ao caos; ressaltar a vida e não a sobrevida. E faz bem, em seu primeiro longa.

A história de uma das 12 famílias judaicas sobreviventes do campo de concentração é contada através de depoimentos do próprio Alfred Willer – que enviado quando criança ao campo perde a família toda, vem para o Brasil, constrói a família e a carreira de arquiteto, e deixa um legado de alegrias e memórias. Seus familiares também deixam seu registro, inclusive a diretora. Além da narrativa ser extraordinária em si, o que Árvores Vermelhas mostra é uma pincelada poética nas imagens e no texto, sem sobrecarregar no tom dramático, mas deixando na grandeza das imagens a intensidade das memórias.

As tomadas são poderosas, assim com as cores. O vermelho, do título, se refere à cor que Alfred vê as árvores. É daltônico. Uma metáfora do quão relativas são as coisas da vida. Tudo depende do olhar e de como se conta a história do que fizeram com a gente. Escolha feliz, diante da infelicidade da história.

 

 

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