APROXIMAÇÃO – Disengagement

Cartaz do filme APROXIMAÇÃO – Disengagement

Opinião

Não consigo entender essa tendência de transformar um título que remete à separação, ao sofrimento em algo positivo, correndo assim o risco de perder o importante e rico significado que um título carrega sobre a intenção do filme. Disengagement remete a rompimento, sinalizando no sentido contrário de “aproximação”. Digo isso porque o que ficou para mim de mais forte e intenso no filme é o enfoque na família multifacetada, dividida pelas distância física, mas principalmente pelas escolhas da vida – que tenta sim uma retomada, mas a própria história se encarrega de tornar isso impossível.

Estamos falando aqui da realidade vivida pelos judeus que moram nos assentamentos em plena Faixa de Gaza e dos judeus que há muito deixaram Israel e se espalharam pelo mundo. Ana (Juliette Binoche, também em Cópia Fiel, O Paciente Inglês, Horas de Verão, Paris) encontra o irmão na França por ocasião do enterro do pai, retoma uma antiga história de abandono e se vê indo para a Faixa de Gaza para reencontrar a filha num assentamento judeu. A separação e o rompimento a que me refiro é mostrado com força no filme, já que o exército israelense precisa retirar os judeus dos territórios palestinos, o que acontece totalmente a contragosto. Essa retirada é o que mais impressiona, pelo rompimento que isso causa entre os habitantes e sua terra, entre os israelenses e suas raízes, entre pessoas do mesmo povo em situações opostas. Sem falar do fato exaustivamente debatido da disputa por território entre os dois povos.

Interessante o filme do diretor israelense Amos Gitai, também do ótimo Free Zone. Apesar dos planos às vezes um pouco longos, Aproximação registra esse contrassenso e o desencontro entre as pessoas de uma mesma família, uma desilusão sem tamanho. A segunda metade do filme nos faz parar para pensar que mundo é aquele, que traz essa grande dose de tristeza. É dessa parte do filme que eu gosto mais.

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