AMOR A TODA PROVA – Crazy, Stupid Love

Cartaz do filme AMOR A TODA PROVA – Crazy, Stupid Love

Opinião

Imagine a situação: você sai para jantar, tudo está aparentemente bem (ou normal até demais) e na volta pra casa seu marido (ou mulher) diz que quer se separar. Assim, como quem diz que quer ir ao cinema, que precisa ir ao médico, que o filho pegou recuperação. Depois de mais de 20 anos de relacionamento e 3 filhos nas costas, é assim que Emily (Julianne Moore, também em Ensaio sobre a Cegueira, Direito de AmarMinhas Mães e Meu Pai) diz que transou com outro. Cal (Steve Carell, também em Pequena Miss Sunshine) pula literalmente do carro e sua vida muda a partir daquele momento.

O curioso (e muito bacana) de Amor a Toda Prova é que, apesar do divórcio, do desolado Cal afogar as mágoas num bar todas as noites, de mudar seus hábitos com ajuda do conquistador profissional Jacob (Ryan Gosling, também em Namorados para Sempre), de seu filho se frustrar com a paixão por uma garota mais velha, que por sua vez se apaixona por um homem também mais velho, e de tudo aparentemente ser superficial, o roteiro aponta para a importância do tempo certo de maturação de tudo na vida – o que, quase nunca, coincide com o tempo que esperamos que as coisas se resolvam. Antes desse ciclo fechar, não há como passar para a nova fase. Não há como Emily entender que é preciso casar de novo sempre – com o mesmo marido; não há como o mulherengo entender que quando conhecer a  mulher certa, todas as suas táticas cairão por terra; não há como Cal entender que é não dá para parar no tempo, mas é preciso ser fiel à sua essência; não dá para Robbie entender que a adolescente Jessica não vai ligar para ele (ainda!). Que conquista não se aprende, é uma questão de sentimento.

Tudo isso que eu citei acima acontece no filme, obviamente com o humor que atores como Julianne Moore e Steve Carell conseguem transmitir com maestria e muita sutileza. Desde a demonstração de carinho do apaixonado (e ótimo) Robbie (Jonah Bobo), até a reinvenção de um casamento que começou na adolescência, Amor a Toda Prova chama esse amor de louco e estúpido no título original (Crazy, Stupid Love). Não acho. Eu diria que o espírito do filme está mais para a adaptação do título em português, passando muito próximo das relações humanas no que elas têm de mais precioso: descobrir-se para descobrir o outro.


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