ALBERT NOBBS

Cartaz do filme ALBERT NOBBS

Opinião

Que opção tem uma mulher pobre, sem recursos, família, herança, senão ser homem na Irlanda machista e católica do fim do século 19? Ficamos sem saber o nome dessa órfã, que vê na oferta de emprego como garçom em um hotel a oportunidade de sobreviver dignamente na cidade de Dublin. Assim surge Albert Nobbs, que assume o papel do sério, dedicado e austero funcionário de um badalado hotel, na pele da simplesmente fantástica Gleen Close. Não se trata de se vestir de homem, mas sim de incorporar a postura, gestos, expressões masculinas, ainda que tenha um toque assexuado. Quase não se percebe a linha que separa os dois mundos, mas a impressão que dá é de um homem ao mesmo tempo determinado e frágil, introspectivo e carente. Impecável maquiagem, impecável interpretação.

Albert Nobbs, no auge da sua elegância, conhece Hubert Page (Janet McTeer) e seus segredos se mesclam numa história só. Hubert também é uma mulher que se passa por homem, por motivos distintos porém semelhantes do que diz respeito à aceitação, oportunidade, trabalho. Concorrendo ao Oscar de melhor atriz e atriz coadjuvante respectivamente, Gleen Close e Janet McTeer dão um show, deixando Helen, vivida por Mia Wasikowska (também em Alice no País das Maravilhas, Minhas Mães e Meu Pai, Inquietos) bem para trás. Mas é por ela que Albert Nobbs se apaixona à sua maneira e é com ela que planeja mudar de vida, abrir seu próprio negócio e ter autonomia.

Não é filme para o grande público. Ainda mais em época em que grandes lançamentos ocupam muitas salas de cinema. Mais lento e o que eu chamaria de “filme de observação” (não perca um só gesto do gentil e minucioso Nobbs), Albert Nobbs tem uma beleza estética marcante, mas também humana. Mesmo na Dublin desumana, assolada pela tifo dos piolhos e pelo desemprego daquele fim de século.

 

 

 

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