ADEUS, MINHA RAINHA – Les Adieux à la Reine

Cartaz do filme ADEUS, MINHA RAINHA – Les Adieux à la Reine

Opinião

Toda vez que falamos de revoluções passadas, fico pensando o que terão sido na realidade. Mesmo quando falamos de algo tão importante e impactante como a Revolução Francesa, sobre a qual há inúmeros registros, ainda persiste a pergunta que não quer calar: como foi na realidade, em detalhes?

Os fatos históricos e suas consequências, as mudanças nas relações sociais, a violência brutal instalada na França neste final do século 18, a queda da monarquia são incontestáveis e renderão sempre bons filmes nas mãos de bons diretores – o que Benoît Jacquol deu provas de que faria muito bem. O que a gente não sabe é o que aconteceu nos bastidores.

E é aqui que o diretor francês se supera, dando vida a uma história fascinante, do ponto de vista das mais improváveis protagonistas da Revolução. Através dos olhos de uma simples criada camponesa, que se torna a leitora da rainha Maria Antonieta por compartilharem o amor aos livros, somos apresentados aos três derradeiros dias após a Queda da Bastilha em 14 de julho de 1789 – uma prisão em Paris, invadida pelos opositores ao regime monárquico, que se tornou o estopim da Revolução.

Equilibrado, plasticamente lindo e encantador em toda a sua preocupação com os detalhes do Palácio de Versailles, na época a residência do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta (Diane Kruger), Adeus, Minha Rainha não se versa sobre intrigas palacianas, mas sim sobre a relação de platônica admiração que Sidonie (Léa Seydoux) tem pela rainha. No meio da penúria do povo e da ostentação da nobreza, Sidonie tenta entender o que está de fato acontecendo quando os revoltosos invadem a prisão da Bastilha, libertam os poucos prisioneiros que lá estavam por ousarem descordar do rei, roubam as armas e marcham em direção à Versailles para depor, de uma vez por todas, o obsolutismo. Além de proteger sua rainha, Sidonie confia nela cegamente e é surpreendida pelo desfecho, assim com nós.

Filmes sobre reis e rainhas sempre rendem romances proibidos, traições, jogos de interesse, casamentos forçados, guerras em nome de Deus. O que é mais agridoce nesse duro e violento momento da história é a sutileza dos bastidores, daquele que é inexpressivo, daquele que faz o teatro acontecer por trás das cortinas pesadas e escusas. Adoro histórias de realeza, mas confesso que gosto ainda mais dos contos da criadagem. São eles que tudo sabem, tudo observam. Um olhar aguçado, quase uma câmera oculta.

 

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