À PROCURA DO AMOR – Enough Said

Cartaz do filme À PROCURA DO AMOR – Enough Said

Opinião

Sempre que preparo um comentário, é praxe escolher palavras-chave que remetem ao tema do filme. Pensando sobre À Procura do Amor, não há muito como fugir de termos como amizade, amor, romance, casamento. Digo isso porque parece comédia romântica trivial, a começar pelo batido título escolhido em português, que nada tem a ver com o original Enough Said. Parece brega, mas não é. Aliás, eu diria ainda que é exatamente o contrário disso: é daqueles filmes independentes com alma.

Pode parecer exagero, mas destoa muito das comédias bobinhas que vemos por aí. A começar pelos diálogos e pelo tom essencial que o filme dá ao relacionamento ao quesito companheirismo. Se tiver humor, tanto melhor! E ainda com o tom casual que a diretora dá ao filme. O essencial junto com o casual dá, realmente, um resultado de realidade, capaz de fazer qualquer um de nós se identificar.

Eva (Julia Louis Dreyfus) é uma massagista despachada e divertida, que já está sofrendo antecipadamente a saída da única filha de  casa. Conhece Albert (James Gondolfini), um sujeito espirituoso e divertido, com quem começa a se relacionar. Coincidências à parte, sua filha também está saindo de casa e portanto compartilham da síndrome do “ninho vazio”. Outras boas personagens entram na trama, como a poetisa Marianne (Catherine Keener, também em Sentimento de Culpa, Capitão Phillips, Cyrus) e Sarah (Toni Collette, também em Pequena Miss Sunshine), que contribuem para o tom descontraído e informal que o filme tem.

Delicioso de assistir, é um recorte da vida de qualquer pessoa comum, desmistificando assuntos como estética e padrão de beleza e colocando-os bem longe do pedestal em que se encontram hoje em dia. Por isso é tão interessante. São personagens da vida como ela realmente é, com suas imperfeições físicas e emocionais, mas que não querem mais do que um bom companheiro de vida.

 

 

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