A COMUNIDADE – Kollektivet (The Commune)

Cartaz do filme A COMUNIDADE – Kollektivet (The Commune)

Opinião

Por Suzana Vidigal

A áurea do cinema escandinavo é diferente. Tem um entorno realista, sem firulas; é naturalista, sem truques. Diferente do que dizia o movimento Dogma 95, fundado pelos diretores Thomas Vinterberg (também de A Caça) e Lars Von Trier, A Comunidade migra para os anos 1970, quando viver em repúblicas era cool, a solução para a monotonia das relações. O movimento dizia que os filmes deveriam ser feitos no tempo presente, para ser o mais fiel possível às questões vividas no presente. Assistindo ao novo longa do diretor, confesso que isso não faz a menor diferença. Trine Dyrholm vai provocar tanta identificação com o público feminino, que é como se fosse real mesmo.

Trine foi a melhor atriz em Berlim e está também em Em Um Mundo Melhor, da talentosíssima diretora dinamarquesa Susanne Bier (também de Depois do Casamento). O que acontece sua personagem Anna é a velha discussão da linha tênue que separa o público do privado.  Anna e Erik (Ulrich Thomsen, também em Em Um Mundo Melhor, Festa de Família) são casados, têm uma filha adolescente e herdam uma casa grande. Anna se diz entediada, quer novos ares, novas pessoas por perto. Sugere que morem na casa e convidem amigos e conhecidos para viverem junto e dividirem as contas e o espaço. Que convivam com pessoas estimulantes. Logicamente a vida íntima acaba sendo partilhada (senão invadida) também. Erik tem receio de que morar em um lugar grande não seja propício para sentir, ver e escutar o outro; Anna diz que quem mora em lugar pequeno, fica com a mente restrita. Entra o público e efêmero, sai o privado e íntimo. O casal se distancia, Erik encontra outra mulher mais jovem e Anna passa a andar nessa linha tênue tentando conciliar seus sentimentos com a realidade exterior, como uma corda bamba.

Duro, cruel e muito realista, A Comunidade discute a utopia da vida partilhada e da mente aberta versus o sentimento de perda, de troca, de vazio que fica por ter escancarado demais o que é, por definição, privado. Extremamente tocante observar Anna e Emma (Helene Reingaard Neumann) na pele, no olhar, no histórico. Feminino e intenso. Filme que ressoa dentro da gente por dias.

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