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FAMÍLIA RODANTE – Familia Rodante
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Argentina - 31/05/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Pablo Trapero

ELENCO: Liliana Capurro, Graciana Chironi, Ruth Dobel, Federico Esquerro, Bernardo Forteza, Laura Glave, Leila Gomez, Nicolás López, Sol Ocampo, Marianela Pedano, Carlos Resta, Raul Viñon

Argentina, Espanha, Inglaterra, Brasil, 2004 (98 min)

Faça essa experiência você mesmo: imagine toda a sua família dentro de um trailer e parta para uma viagem longa, em uma época de muito calor. A bordo, há quatro gerações, assim como muitos interesses conflitantes, vidas dissonantes e histórias mal resolvidas. Sem falar dos percalços próprios de qualquer viagem, que precisam ser resolvidos com calma e praticidade. Veja no que dá. Fácil?

Mesmo que você seja capaz de imaginar uma aventura dessas, lembre-se de que isso só é possível se houver alguém que faça essa proposta aos demais, sem abrir exceções. Em uma época em que as matriarcas estão em extinção e em que as famílias se reinventam e já não têm o formato das tradicionais, Família Rodante é um retrato interessantíssimo desse convívio, das dificuldades de estar com o outro, de conviver, de respeitar – muitas vezes esbarrando na dificuldade primeira, a de se dispor a conhecer o outro. Naturalmente me lembrei de Pequena Miss Sunshine – também road movie, estilo comédia dramática familiar.  

A matriarca neste caso é Emilia. Uma sobrinha sua está de casamento marcado e ela convoca a família toda para ir até a longínqua província de Misiones, fronteira com o Brasil. A viagem de família, que começa a ser organizada no seu aniversário de 84 anos, é tratada com uma naturalidade incrível e parece, realmente, que somos testemunha do que está acontecendo. Tem horas em que os diálogos se confundem com o som ambiente; tem horas em que a aproximação da câmera faz com que percebamos os detalhes de uma situação intimista e peculiar de cada um dos integrantes da família.

Não tem romantismo, mas também não tem sátira das relações familiares. Tem realismo. Trapero (também diretor de Leonera) mostra a família como ela é. Na figura de Emilia, sentimos seu olhar de pesar pelos pesares, pelo tempo que passou e pelos descaminhos que a vida tomou. É o seu olhar contemplativo que mostra a vida como ela é. E com uma sensibilidade…

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