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ELEFANTE – Elephant
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Estados Unidos - 23/01/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Gus Van Sant

ELENCO: Elias McConnell, Alex Frost, Eric Deulen, John Robinson

Estados Unidos, 2003 (81 min)

Esta semana teremos estreia de um filme extremamente perturbador, Precisamos Falar Sobre Kevin – que é assunto para outro artigo. Pesquisando sobre ele, cheguei em Elefante, do diretor Gus Van Sant, também de Milk – A Voz da Igualdade, Inquietos, Gênio Indomável. Este filme foi premiado em Cannes com a Palma de Ouro, além de melhor diretor. Tem realmente uma força impressionante e devastadora.

A inspiração foi nada mais, nada menos do que o Massacre de Columbine em uma escola do Colorado em 1999, que também serviu de inspiração para o documentário Tiros em Columbine, de Michael Moore. Mas Gus Van Sant segue uma linha diferente, mais observadora – o que é mais perturbador, porque deixa suspensa qualquer conclusão, qualquer explicação para a tragédia. Tive a sensação que cabe a cada um de nós buscar a razão que leva dois adolescentes bem formados, de classe média, que portanto têm ótimas condições de vida, com famílias, amigos, escola, a planejar a matança e sair atirando em seus colegas e professores.

Elefante tem uma câmera atuante, que faz o espectador passear junto pela escola e sentir-se parte desse mundo adolescente. Percorre os corredores do ensino médio (os atores são alunos reais da escolas escolhidos pelo diretor), portanto por onde circulam os adolescentes, mostrando a dinâmica da vida particular e escolar de cada um deles. Uma cena em que alunos se encontram, por exemplo, é mostrada duas, três vezes, cada vez sob o ponto de vista de um deles. Mostra adolescentes bulímicas, que vão ao banheiro vomitar após a refeição, adolescentes que desprezam os pais e desejam sair de casa o quanto antes, adolescentes que sofrem bullying por serem diferentes do padrão esperado; mostra o preconceito contra o homossexual, a necessidade de rotular pessoas e fatos, o grupo dos atletas, do estudiosos, os que namoram, os que fofocam. Fui sentindo uma angústia com esse panorama, até porque já fui adolescentes um dia e dá pra imaginar a solidão dessas pessoas, o vazio de uma fase em que há crescimento, mas que nem sempre vem acompanhado da maturidade para enfrentar a vida adulta que se anuncia na próxima esquina.

Comecei falando de Precisamos Falar Sobre Kevin, porque ele também trata desse tema que traz à tona a pergunta que não quer calar: por quê? Se não falta nada, por quê? Então, falta algo – ou falta o essencial? Que tremendo vazio. Que tremenda falta de esperança. Ainda não descobri o porquê do título Elefante, mas minha pesquisas indicam que pode ser por causa de uma parábola budista em que três cegos tocam num elefante. Como não conseguem vê-lo por inteiro, o definem de acordo com a parte que tocaram, de forma fragmentada. Sem ver o todo, suas definições são equivocadas e as conclusão imprecisas. É o perigo do rótulo.  Até o ano passado, o Brasil se orgulhava de não não ser palco de massacres do gênero – afinal, isso era parte da cultura americana. Ledo engano. Realengo nos mostrou o quanto essa questão é universal, o quanto tudo isso é complicado e só não enxerga quem não quer. Não deixem de assistir e preparem-se para falar sobre Kevin, ainda esta semana.

 

 

2 Comentários to “ELEFANTE – Elephant”

  1. Suzana, tudo bem? Que bom que você falou do Kevin. Sempre que ia a uma livraria pegava o livro e lia a contra capa. E sempre tive um misto de curiosidade e medo… Ontem vi o trailer do filme e uma grande parte de mim quer ver o filme a outra tem medo/pavor do que vai encontrar. É de terror? rs Este filme vai me perturbar pelo resto da vida? Alguns filmes me perturbaram… Eu sou aquela que não teve coragem de ver Anticristo, apesar de ler todas as críticas sobre ele. Acho que este filme é drama para quem não tem filhos e de terror para quem tem!! Vou esperar sua crítica. um beijo.

  2. Toia on January 24th, 2012 at 12:26
  3. Tóia, vou publicar até amanhã. É perturbador, principalmente para nós, mães… Não é de terror não. A pergunta que eu me faço é: como se faz para criar monstros como esses?? Onde a gente erra tanto? Mas é sensacional, a atriz Tilda Swinton está simplesmente perfeita – acho que é por isso que me senti tão acuada e com medo dessa mega função de educar. Mas não deixe de assistir. Beijo e obrigada!

  4. Suzana (Cine Garimpo) on January 24th, 2012 at 13:10

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