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DZI CROQUETTES
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Brasil - 10/04/2011

DIREÇÃO: Raphael Alvarez e Tatiana Issa

ELENCO: Gilberto Gil, Pedro Cardoso, Miguel Falabella, Claudia Raia, Marília Pera, Nelson Motta, Elke Maravilha, Ney Matogrosso, Norma Bengell, Liza Minelli, César Camargo Mariano

Brasil, 2009 (110 min)

Nome no mínimo curioso. Dzi Croquette. Confesso que não fazia parte do meu repertório, até porque fez sucesso na década de 70 – eu era pequena demais para acompanhar e não era algo com apelo infantil, para dizer o mínimo. Mas o significado que o grupo carrega e todo o contexto que vem com ele não é, nem de longe, o que o grupo parecia ser no palco: 13 rapazes gays, vestidos de mulher, exageradamente maquiados, com figurino extremamente coloridos, embora escassos por estarem praticamente nus. Os Dzi Croquetes fizeram teatro, cantaram, dançaram com originalidade e um certo nonsense, origem do besteirol (como eles mesmos dizem no documentário) – mas só aparentemente. Em plenos anos de chumbo da ditadura brasileira, em que toda manifestação de arte foi fortemente reprimida e censurada, o grupo cantava em francês e inglês, além do português, fazia humor irreverente, dançava muito e quebrava padrões, tabus e preconceitos.  

Foi pelo filme que fiquei sabendo da importância desse movimento em vários setores da vida artística e social brasileiras. Nas artes, os depoimentos de artistas como Claudia Raia, Miguel Falabella, Pedro Cardoso, Nelson Motta mostram como os Dzi influenciaram a maneira de agir das pessoas (muito sufocadas pela direita), permitindo que se soltassem, que vivessem a emoção dos espetáculos. Foi importante, inclusive, para a trajetória dos homossexuais brasileiros. Deve ter sido mesmo. Vendo as gravações dos programas, fiquei imaginando a reação da fatia da sociedade mais tradicional. Inclusive a censura ficou confusa. Acostumada a encontrar contraversão em manifestações artísticas ingênuas, viu no nu do Dzi Croquettes uma afronta. Mas não conseguiu achar nada de obscuro além do nu e o grupo continuou apresentando-se e fazendo seguidores. O sucesso foi nos anos 70, inclusive internacionalmente. Mas foi no início dos anos 80, quando o “câncer gay” (como era chamada a Aids na época) começou a aparecer, quando alguns de seus membros padeceram da doença e as drogas passaram a ocupar uma fatia grande demais da vida deles que o grupo se dissolveu. Dos 13 membros, 5 estão vivos e atuantes no campo das artes cênicas e musicais.

Foi inspirado neles que surgiu o grupo As Frenéticas. Delas sim, tenho meus registros – era época de Dancing Days. Se não tivesse assistido ao documentário, não arriscaria uma sugestão para a origem do nome do grupo. O nome vem de uma ideia simples: croquetes eram todos eles, formados de carne; “dzi” foi uma tentativa de registrar a sonorização do artigo “the” em inglês. Portanto, seria algo como “Os Croquetes” – o que não soaria tão original. Ganhou uma dimensão bem maior traduzida nesse idioma próprio do grupo, com identidade, coragem, ineditismo e, por que não, estranheza. A emoção nos depoimentos dá um pouco da importância e influência do grupo na maneira de pensar e fazer a arte no Brasil. Considerado o melhor documentário brasileiro nos festivais do Rio e São Paulo em 2010, vale a pena o registro.

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