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DEIXA ELA ENTRAR – Let the Right One In
CLASSIFICAÇÃO: Suécia, Para Pensar - 18/11/2011

DIREÇÃO: Tomas Alfredson

ROTEIRO: John Ajvide Lindgvist

ELENCO: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Berqquist, Peter Carlberg

Suécia, 2008 (115 min)

Vou na contramão dos cinemas, que lançam hoje Amanhecer – Parte 1, o primeiro episódio do quarto filme de A Saga Crepúsculo. Não assisti – até queria a opinião de quem acompanha essas produções. E já que o tema do fim de semana são vampiros, peguei carona, mas no outro sentido, fugindo descaradamente da maré dos filmes blockbuster, indo na direção das produções européias que gosto tanto.

Não dá pra dizer que prefiro sem ter assistido às duas opções. Mas o trailer de Amanhecer – Parte 1 não é exatamente um atrativo… Por outro lado, e numa linguagem absolutamente diferenciada, está esta produção sueca Deixa Ela Entrar, exibido na Mostra Internacional de Cinema em 2008 e este ano, no vão livre do MASP.

A protagonista é uma menina de 13 anos, vampira, que não sente frio, voa, está para sempre congelada no corpo de uma adolescente. Seu par, um garoto da mesma idade, que sofre forte bullying no colégio, não tem amigos, vive quieto, com medo, é fascinado por histórias de terror e morte e descobre a adolescência sem ter com quem conversar, nas gélidas paisagens suecas. Entre neve, frio, gelo e dias totalmente cinzas (uma metáfora dessas relações duras, frias, impessoais, individualistas e absolutamente cruéis), os dois se encontram, conversam, selam uma amizade que vai chegar às últimas consequências – para um vampiro e para um ser humano.

A atuação de Oskar (Kåre Hedebrant) e Eli (Lina Leandersson) é incrível e dá muita força para todo o clima de suspense e mortes misteriosas na pequena cidade onde vivem. Eli chega acompanhada de um senhor, que trata de conseguir sangue para alimentá-la da forma mais esquisita e mórbida possível. Técnica-morcego, eu diria. Eli tem uma aura de mistério, uma palidez própria dos vampiros (se é que posso dizer isso), sem que isso pareça artificial. Tem aquele olhar esbugalhado impressionante e muito, mas muito convincente.

O que completa essa caracterização física e cenográfica e é de fato muito bem construída, é o emocional dos personagens, a vivência das descobertas da adolescência com essa cumplicidade tão improvável, mas que funciona na aceitação das diferenças, na adaptação, no respeito e ajuda mútua. Tipo de ajuda que não é qualquer um que daria… precisa ser uma amizade realmente muito especial. Quanto tudo parece terminado e resolvido, o diretor Tomas Alfredson dá um toque magistral. A última cena é de uma leveza e inocência incríveis. Não pensei que pudesse ter um final doce… agridoce, melhor dizendo.

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